sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Não pouses assim o teu olhar em mim

Andei ressacada. Fui acometida de todos os sintomas clássicos: olhos encovados, falta de sono, tremuras, suores frios... Aos poucos fui-me adaptando à realidade. A ausência passou a não ser mais do que um vazio sentido apenas num ínfimo nervo do ventrículo esquerdo. Uma pontada constante, mas muito pequenina e quase indolor, que me acompanhava desde a hora de acordar até ao momento e que o cansaço vencia a insónia. Uma dor que se entranhou e passou a fazer parte do meu ser.  Resignei-me ao meu fado. Habituei-me a viver na carência.
E agora, num repente, sem aviso, sem preparação, embora com presciência, voltaste a assaltar-me a vida ontem e hoje, uma e outra vez. E eu que vivia em privação, sinto-me a entrar em overdose. E tenho medo de não saber sobreviver.

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