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terça-feira, 6 de maio de 2014

Bilú e Zindy

A falta do sol e o excesso de ocupação destruíram-me a vontade de escrever e de fotografar. Agarro na camara e aponto. Disparo à toa e o resultado desagrada-me sempre. Componho frases no ecrã e de imediato apago o que redigi. Não serve. Não interessa ao resto do mundo nem sequer a mim. Opto pelo menos obvio, pelo mais fácil. Ligo a televisão e sigo todas as séries em exibição. Maravilhosa invenção esta o do "vai para trás e volta para a frente". Num dia de chuva tudo muda. Uma mãe aventureira põe as crias em perigo. Um amigo antigo resgata-as para os meus braços. Juntas não chegam a pesar um quilo. Enamoro-me de imediato. Trago-as para casa ainda em dúvida. Não as volto a deixar sair. E aqui estou eu. E aqui estão elas. Serão sempre os amores maiores a fazer-me regressar as paixões.





domingo, 21 de abril de 2013

Afectos

Entra pela porta adentro a correr, acompanhada da avó. Traz o rosto afogueado, a respiração mais ofegante que o habitual e um sorriso capaz de contagiar o maior trombudo do mundo. Traz na mão esquerda, a dominante, um pequeno ramo com duas flores silvestres, uma espécie de camomilas, com pétalas amarelas. Estende-as no ar e declara: "É um presente para ti!" Agarra numa delas com a outra mão e continua: "Esta sou eu que te dou, e esta (referindo-se à que permanece na mão esquerda) foi o avô que mandou para ti. Ele não subiu porque está cansado." A minha mãe confirma que assim é, e prepara-se para sair. Eu sorrio e peço-lhe para lhe dar um beijo por mim. Olho para a flor e sei que é um pedido de desculpa por ter sido imprudente e teimoso e por me ter causado o pânico ainda ontem, sei que não subiu porque se sente envergonhado. O beijo que lhe não lhe dei é a confirmação de que já estava mais que perdoado, é o respeito pela sua reserva. Andamos nisto há anos. Entendemo-nos na perfeição no meio de tal emaranhado de comunicação disfuncional.


sábado, 16 de março de 2013

"Mais uma corrida, mais uma viagem..."


(a motivação tinha atingido mínimos históricos. a expressão facial e corporal denunciavam-no sem deixar margem para qualquer dúvida. ele ainda a auscultou para averiguar o motivo, na tentativa de confirmar aquilo que já sabia. ao contrário do habitual ela não lhe deu troco, deixando-o sem certezas. ontem ele obrigou-a a sentar e, contra tudo e todos, fez-lhe um pedido, tentando rodear a questão, como se não soubesse de antemão qual seria a resposta, como se não lhe conhecesse já as vontades. ela desarmou-o com a ordem para que se dirigisse ao assunto. as palavras que se seguiram abriram-lhe o sorriso desaparecido do rosto e dotaram-lhe o crânio de um movimento concordante. ele recostou-se na cadeira e suspirou de alívio face à simplicidade do processo. ela levantou-se e saiu exultante. operou-se a mudança necessária. finalmente vai voar sozinha. tem tanto medo. está tão feliz.)

sábado, 9 de março de 2013

Pelos regressos


(acolho carinhosamente todos os pormenores que me entram pela vida adentro. converto-os quase sempre em bens essenciais. mas nunca lhes fecho as portas e as janelas. deixo-os livres para circularem. quando partem entristeço. com tudo aberto não tarda  aparecem outros, novos, trazidos pelas correntes de ar. não substituem os que partiram. criam novos espaços na pirâmide de Maslow. nunca se sabe se um dia algum quererá regressar.)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ontem fui à cidade


De cada vez que vou à baixa ou à Boavista em dia de semana, fico cheia de saudades do tempo em que trabalhei nessas zonas e passeava à hora do almoço em Santa Catarina ou Júlio Dinis e via montras e gastava rios de dinheiro em compras. Depois recordo-me que despendia uma hora para percorrer os cerca de de 6 quilómetros que separavam a minha casa do local de trabalho, comparo com os dez minutos que gasto agora para percorrer a mesma distância e passam-me logo as saudades. Gostava de ter o melhor dos dois mundos. Raramente isso é possível.
(a fotografia não era bem assim, mas tenho aqui uns filtros e estou a achar graça à brincadeira)

sábado, 24 de novembro de 2012

Drama princess

Começa a tornar-se perigosa a minha apurada capacidade de mutilação própria. Enquanto os ferimentos que me fui infligindo se circunscreveram ao músculo cardíaco, nada de mal deles adveio, uma vez que toda a gente sabe que se pode perfeitamente viver sem coração. Mas agora, e às tantas porque já não havia espaço no peito para retalhar, as minhas acções começaram a dirigir-se para os dedos. Em poucos dias, as tarefas perigosíssimas de lavar a varinha mágica e montar a árvore de Natal quase me levavam dois dedos contíguos. Começo a preocupar-me. Sem extremidades não consigo escrever. Sem a escrita de pouco valerá viver.


sábado, 14 de julho de 2012

Far West

Passo as duas últimas semana imersa em homens, numa tarefa homérica de avaliação. São cerca de cinquenta no total. Junto-os em grupos, separo-os, volta a juntá-los e por fim isolo-os. Em média, passo cerca de três horas com cada um, a esmiuçar-lhes a vida de fio a pavio. Em média passam três horas comigo, empenhados em manobras de sedução que visam convencer-me que são aquele, o que eu quero, o que tornará a equipa vencedora. Hoje, incapaz  de suportar qualquer companhia masculina, isolo-me e inicio a dolorosa escolha. Necessito de decifrar as notas que fui garatujando numa caligrafia que nem sempre compreendo. Aos poucos, muito lentamente, vou formando o grupo, juntando um a um... Toca o telefone . Interrompem-me o raciocínio para me perguntarem do tiroteio. Tiroteio? - pergunto. Que tiroteio? Do outro lado, um riso nervoso informa-me que acabou de haver um tiroteio entre os meliantes do costume e a polícia, ali ao lado, a cinco metros. Olho pela janela e observo as manobras. Respondo que não, que não ouvi o que quer que fosse, que tenho estado ocupada e que não dei conta, e desligo, para rapidamente esquecer o que se passa lá fora e mergulhar de novo na construção de Legos que me ocupou o dia. São nove da noite quando termino. Olho pela janela e é quase noite. Vejo que a rua está livre de policia, e por algumas horas, estará também livre de bandidos. Antes de me fazer à estrada, procuro a noticia nos jornais digitais, mas não encontro. Penso que desta vez foi deve ter sido coisa pequena, daquelas que não merecem que qualquer jornalistas se mace. Afinal, a Dália até se separou do Bernando e a pobre da Bé não tem para onde ir morar. Ele tem que haver prioridades. E também, assim por assim, de pouco importa. A minha tarefa está cumprida, o "Jorge Costa" e o "Vítor Baía" vão fazer parte da minha equipa, e eu só regresso daqui a quinze dias. Despeço-me do porteiro com um "até ao fim do mês", dito num sorriso. Boas férias doutora, verbaliza ele acenando, enquanto me vê afastar em direcção às malas que tenho para fazer.

(foto da minha war zonegamada ao jornal Público e supostamente tirada aquando do ultimo tiroteio a sério)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Eu já tive uma máquina fotográfica analógica e muito pouco jeito para tirar fotografias.

Uma das coisas que mais me agrada nisto de ler blogs é o potencial de associação de ideias que me vai provocando. E se algumas vezes me dá preguiça e deixo passar sem referência, noutras não resisto e toca de dar a conhecer ao mundo aquilo que me veio à alma. 
Eu também lá estive. Já lá vai há tanto tempo.







domingo, 25 de março de 2012

O Sr. Fonseca estraga-me com mimos.

Primeiro foram as videiras, que um dia irão proteger a pele do sol;


depois vieram as framboesas, que me deliciam o paladar no verão;


entretanto convenci-o de que era necessário o cheiro das alfazemas;




e, não tarda nada, serão os meus olhos os presenteados.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Multiculturalidade


(os presentes dos meus amigos são insuperáveis)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Este blog é limpinho e amigo do ambiente


(Confirma-se. Hoje foi de dia limpeza)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Indecisões

 Disseram-me que anda aí um filme a preto e branco muito interessante. Fui pesquisar e encontrei dois. Agora não sei se hei-de escolher este



ou este...



domingo, 22 de janeiro de 2012

Surrealidades

Este homem tem qualquer coisa no olhar, que me causa sensações peculiares.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O chá deve ser sempre bebido em boa companhia*

Há coisas perfeitamente inúteis que tem montanhas de piada. Esta é uma delas. 



* (ou, Cá em casa, no Natal tal como nos outros dias, não há monotonia.)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

... now I take Berlim.


"They sentenced me to twenty years of boredom
For trying to change the system from within
I'm coming now, I'm coming to reward them..."

Leonard Cohen - First we take Manhattan

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Plantas


(eu até poderia ensinar-lhes, mas a minha arrogância não me permite a maçada)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amizade?

Abro a caixa de correio electrónico de que me vou esquecendo amiúde. Dou de caras com mais um dos paradoxos da minha vida a encimar a tela verde. Sou, de novo, transportada para um quadro de Dali. E eu que só queria que me deixassem viver num Turner.


(imagem retirada daqui)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Restaurador Olex?

(Imagem retirada daqui)

Agora só falta o Moutinho aparecer de carapinha.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Consciente(s)

A quem possa interessar esta coisa da psicanálise, ou ande com os conceitos baralhados, recomendo os escritos do Luís Augusto que sabe sabe muito sobre o assunto e sabe expor de forma perceptível os seus conhecimentos. Volta e meia o Luís fala sobre isto cá no Porto, na Faculdade de Letras. Se tiverem oportunidade de o ouvir, não percam.

(Imagem retirada daqui)