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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Vida(s) difíceis






Hoje andei por aqui. Tão cedo que era a única alma a vaguear pelos caminhos do parque. Nestes dias a vida sabe-me a tanto.

sábado, 16 de maio de 2015

Compreensão

Não foi porque jamais poderia ser.
Fecho a porta.
Despeço a ilusão.
Acabaram-se-me de uma vez as palavras.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Minudência(s)

E no meio de toda a polémica vou/não vais, leste/não li, gosta/nem pensar, eu só consigo pensar na tradução do titulo. Ninguém ainda percebeu que podia bem não ser sombras...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Photomaton


Uma moeda, casualmente atirada a um poço, grava na verde íris o desejo. Salivam as memórias, orgulha-se  Pavlov. Jamais a campainha deixará de soar

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"Mais uma corrida, mais uma viagem..."

Um lapsos linguae grosseiramente disfarçado apresenta uma verdade que não se queria real. A terra gira em torno do seu eixo e do sol e retorna, invariável e periodicamente, ao mesmo sítio. A monotonia dos dias negros enruga a pele. O adeus é indolor. Os rios correm sempre para o mar.

sábado, 11 de outubro de 2014

Prazeres (muito) culpados



Com o avançar do tempo, os nascidos na década de oitenta parecem cada vez mais jovens, aos meus olhos. A inocência e linearidade emocional de quem ainda tem tanto para viver enternece-me e entedia-me em simultâneo. O espaço e o  tempo em que me movimento estão imersos no double bind conceptual. A integração perfeita do paradoxo é a minha mais preciosa missão.

domingo, 21 de setembro de 2014

Tardes de domingo


Fomos à feira do livro da nossa cidade e perdemo-nos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

20. before bedtime



Introduz a mão na gaveta que repousa debaixo da cama e retira os primeiros lençóis que a mão alcança. São brancos, de algodão, os únicos que o corpo aceita quando o verão se manifesta com vigor, quando o calor aperta e a cor se cola à pele suada deixando um rasto odorífero demasiado acre. No verão são sempre brancos, é ponto assente. Começa a estende-los na cama e apercebe-se que fazem parte do lote que lhe calhou em herança, há mais de 20 anos, aquando da morte dela, quando ele decidiu que tinha tralha a mais e que grande parte teria que ser despachada. Calharam-lhe em herança, sem que os tivesse pedido. Nem sequer se deu ao trabalho de participar na reunião familiar das partilhas. Qualquer coisa lhe servia. Desde que ficasse salvaguardado que a Nossa Senhora de Fátima e os pastorinhos seriam seus quando partissem ambos, tudo o resto era indiferente. Que ficassem com o que quisessem. Ninguém teve coragem de a contrariar. A Santa foi-lhe entregue poucos anos depois, quando chegou a vez dele de partir, e repousa sobre a cómoda do seu quarto, vigilante, a guardar-lhe as memórias de criança. Antes disso vieram as roupas de mesa e de cama e as joias que nunca usa. Vieram os lençóis com monograma bordado à mão, que estende na cama. Um monograma falsificado que necessitou de ser explicado quando lhe chegou às mãos. Então se o nome de ambos iniciava com a primeira letra do alfabeto, o que fazia ali um F, enleado no A? Diz-lhe a mãe, que percebe das artes da costura, que não fica bonito quando se junta a mesma letra duas vezes, que assim se distingue quem é quem, que o F é a inicial do segundo nome dele, que assim é muito mais bonito. Discorda, mas não discute. Percebe que ele não foi tido nem achado na decisão pouco democrática, já que nunca ninguém o chamou pelo segundo nome, que isto de bordar trapos é coisa de mulher, e que desde que estivessem limpos quando se deitava neles, tanto se lhe fazia se lá estava escrito AF ou caracóis com molho verde. Ou se calhar até se importava um bocadinho, às escondidas, sem que ninguém percebesse. E talvez por isso os tenha despachado à primeira oportunidade, porque já não aguentava mais ter o papel secundário na cama, na vida, nas letras tatuadas nos farrapos de tecido que ela trouxe como dote e que auguravam união para toda a vida.

domingo, 10 de agosto de 2014

8. pet pevee

 
(pessoas estúpidas, o acordo ortográfico, os melros que me comem as uvas e as framboesas, o corta-relva do meu vizinho de manhã, gente incompetente, chuva em tempo de férias, o benfica, viagens de carro, empatas, a interrupção sazonal das séries, as tuas indecisões, lençóis enrugados ao deitar)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

4. In the middle


(não gosto de castanhas. no entanto encantam-me os ouriços. talvez seja esta afinidade. somos amiúde doces no meio, e para sempre espinhosos na superfície)

domingo, 3 de agosto de 2014

1. Landscape


(o verão à janela)

domingo, 13 de julho de 2014

Sinal dos tempos

Em quarenta anos de campeonatos, não me lembro de ter visto tanta choraminguice como neste. Ninguém ensina a estes jogadores da bola que os rapazes não choram?

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Dá-se para adopção...


...este animal amoroso que se mudou para o jardim cá de casa.

domingo, 6 de julho de 2014

Confiança

Metemos mãos à obra ontem, em conjunto, mas o clima não ajudou, e passados cinco minutos já chovia de tal forma, que viemos recambiadas para dentro de casa com a roupa colada ao corpo e sem qualquer progresso visível. Hoje, com o sol a dar um ar de sua graça, resolvemos tentar de novo. Rumamos à planície, porque não há outra forma de o fazer, e recomeçamos a tarefa. Os primeiros dez minutos foram caóticos, cheios de gritinhos de "não me largues!" e "ai que eu não consigo". Assegurei-a de que conseguiria. Todos conseguem e ela não é exceção. Assegurei-a de que não a largaria até que a sentisse segura. Não a larguei, mas afrouxei aos poucos a força com que a segurava, sem que ela percebesse, até a minha intervenção não passar de um mero adereço. Disse-lhe baixinho que já não estava a segurar e que a ia deixar ir sozinha. Consentiu. Gargalhou de alegria quando percebeu que era capaz. Gritou  aos sete ventos sem parar: "Mãeeee! Já ando de bicicleta sozinha."


terça-feira, 1 de julho de 2014

Eu sou, tu és, ele é...

Cresci em casa dos meus avós maternos. Até aos doze anos, mais coisa menos coisa, a casa dos meus pais era o dormitório de onde eu saia cedo, onde chegava tarde, muitas das vezes já jantada, e para onde migrava ao fim de semana, para rapidamente abandonar no início da nova semana. Até aos meus doze anos, a casa dos pais da minha mãe foi o sítio onde passei mais tempo útil e os meus avós maternos foram os maiores responsáveis tanto pela formação do meu carácter, como por grande parte das deformações da personalidade.
Da infância, uma memória ficou-me vincada. Quando morria alguém, fazia-se silêncio e não se ligava a televisão ou o rádio durante três dias. Confesso que não achava piada nenhuma à coisa. Primeiro porque eu era a fala-barato da casa e dificilmente conseguia estar calada. Depois porque nesse tempo só tínhamos direito a meia dúzia de horas diárias de televisão. Fazia lá algum sentido, só porque morreu a Dona Aninhas que morava duas casas abaixo, que ficássemos sem ver os desenhos animados durante três dias. Ainda por cima sem podermos correr ou fazer qualquer tipo de ruído. "- Nada de fazer barulho, (dizia-nos a avó em surdina) que morreu o Sr. Bernardino da quinta e parece mal andarem para aí aos gritos e em correrias." Com muitos amuos e sem se perceber muito bem porquê, lá íamos obedecendo, sempre a amaldiçoar o raio dos velhotes que parecia fazerem de propósito para morrer nos dias em que era mesmo importante assistirmos ao episódio do Babar, dos Estrumfes ou dos Flintstones. E assim andávamos crianças, pelos cantos da casa, emburrados, em encenado sossego, a aprender que a morte se vive em silêncio.
Em silencio continuo hoje, sempre que o dever ou o zelo me conduzem a algum tipo de exéquias.
Nunca aprendi a partilhar a dor em palavras. Creio que os longos e empáticos discursos dos mais loquazes, pejados de "também já passei por isto", "dói muito, mas acaba por passar", "ele está num sítio muito melhor" ou outras expressões de cemitério afins, não só não têm qualquer efeito apaziguador da dor, como são poderosíssimos no que toca a cansar os já exaustos endoados. Compreendo finalmente os meus avós. A dor do luto é idiossincrática. O silêncio será sempre a melhor forma de a honrar.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Crème brulée

Estávamos ali acabados de sentar (ou melhor, ele estava, que chega sempre atrasado, porque eu já contava vinte minutos de espera) quando num repente e sem pré-aviso ele puxa para a conversa um mail que lhe enviei e ao qual não respondeu. Confesso que a principio não compreendi de que falava. Afinal a troca de correspondência sempre abundou e mails sem resposta são de tal forma prática corrente que já me apeteceu deixar de lhe escrever de vez, para ver se aprende. A minha expressão de perplexidade deve ter-me denunciado. Percebeu rapidamente que eu não estava a contextualizar e tratou de clarificar, identificando-o de forma disfemística. Fiquei em estado de choque e confesso, desprovida da capacidade de reação rápida que me é característica. Afinal, a comida ainda não tinha chegado à mesa, a conversa oscilava entre o "Há quanto tempo" e o "então como vai a vida?" próprios de meses de separação, e ele sem qualquer tipo de anestesia começa logo a cortar a eito. Gaguejei por uns momento, acho que lhe disse para ter juízo ou decoro ou o que quer que fosse e tratei de me recompor e de reformular o epíteto, admoestando-o pelo atrevimento interpretativo. Seguiu-se a conversa de surdos possível, comigo a falar de alhos e ele a responder bugalhos até que finalmente o empregado de mesa se interpôs entre nós, colocou na mesa a travessa com o repasto e iniciou a empreitada de o transferir para os pratos, aniquilando qualquer hipótese de clarificação. A conversa mudou de rumo. Vieram os filhos e o trabalho e a vida e o asiático da mesa do lado que lutava com o dicionário de imagens contra a ementa escrita em português. Ficou tudo por dizer e ainda bem que assim foi. Há momentos que devem congelar-se no tempo. Prevendo-se o degelo, há que abrir valas fundas e rezar para que nenhum obstáculo os impeça de rapidamente se fundirem com o mar. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Verdades absolutas #3

É porque já fui excessivamente radical, que cada vez mais aprecio os moderados.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Madrugada

Discutíamos as cantoras portuguesas. Ele apaixonado, eu desencantada.
 
- Mas ela escreve as letras. Ouve bem. É muito boa.
- Queres que te escreva uma. É já.
- Então escreve.
- Já está. (só falta alguém que a queira cantar)
 
 
Madrugada
 
Numa noite estrelada
Lá no meio do nada
Um cometa passou
E o desejo voou:
“Aquela boca beijar
E o tempo parar,
Com um olhar apagar
Toda a luz que restou”
 
 
No sossego do escuro
A guitarra tocou
Num disco que riscou,
O vento sem acalmar
A pele eriçou,
O peito quase a estoirar,
Um sufoco na alma,
O mundo que era calma
Para sempre mudou
Numa noite estrelada
Em que o cometa passou.

Esse cheiro de mar, insistente no ar
Arrepia-me, dobra-me, faz-me sonhar
Um delírio eterno, faz o mundo a girar
Esse abraço, para sempre, quero guardar
 
E quando o vento gelou,
E a paixão esmoreceu
No meu corpo e no teu,
Eu fiquei acordada
À espera, sentada
Que um milagre de santa
Numa nuvem montada,
Te fizesse voltar.
 
Mas a santa falhou
E o regresso tardou.
A paixão pereceu
Mas a promessa de amor
Num acto de teimar
Nunca se esgotou.
Para sempre ficou
Agarrada à carne
Que num dia de sol
Deste corpo brotou
 
Esse cheiro de mar, insistente no ar
Arrepia-me, dobra-me, faz-me sonhar
O delírio secou, e o mundo parou
O abraço desfez-se, o silêncio ficou.
 

Vogar sem rumo

O propósito que nos levou à baixa foi a compra das socas que faltavam para completar o disfarce de carnaval. Nas lojas do Bolhão referenciadas não havia o número adequado e portanto tivemos que rumar à Rua dos Clérigos pedindo, pelo caminho, a todos os santinhos que nos evitassem uma viagem ao Minho. Os santos acudiram e a compra fez-se em cinco minutos. Tanta rapidez deixou-nos com excesso de tempo até à hora do almoço. Outro café, dizia ele, acompanhado do jornal. Uma subida à torre contrapus eu, salientando que não me parecia bem que já tivéssemos subido a todas as torres de Praga e continuássemos ambos sem conhecer a da nossa cidade. A custo convenci-o. Subimos. A meio do caminho amaldiçoei o esquecimento da camara fotográfica. O telemóvel teria que servir. Foi assim:






sábado, 15 de fevereiro de 2014

Porque é que deixas de ler blogs Maria?

Porque não suporto ler textos escritos por pessoas que até escrevem bem e que de repente, por obra de uma paragem cerebral qualquer que lhes dá, começam a escrever como se fossem crianças ou semi-analfabetos ou outra coisa qualquer que eu ainda não descobri.

(tufone, não só não é uma palavra, como não tem piada nenhuma quando aparece escrita no meio de um texto com qualidade )