domingo, 25 de janeiro de 2026

Transladações Agosto 2025

Estive a ouvir o OK Computer. Já não o ouvia há muito tempo. É um álbum do carago e os Radiohead são uma banda do carago. E o Thom Yorke é um freak maravilhoso com aquelas dancinhas todas atrofiadas. Não sei se consigo encontrar combinação melhor entre música e performance.

Top Gun on wheels. O Brad Pitt está como o milho, o Javier Barden melhor que o milho e o resto é carros espatifado e historinhas de amor e superação. Podem bater à vontade, mas o que vale no meio daquilo tudo são os cotas. E vale muito.

Pesadelos metafóricos recorrentes ensinam tudo sobre o funcionamento do cérebro adormecido. Expurgar os males com violência extrema é a melhor catarse. "Venham mais cinco, de uma assentada..."

Falta-me a paciência tanto para os sentimentalistas exacerbados como para os revoltados sistémicos. Recuso a ambos a minha preciosa atenção.

Desejos para o querido mês de agosto. Que um cientista louco me rapte e me inflinja experiências extremas de indução de sestas descansadas, em quartos frescos à beira mar, com camas feitas de algodão, almofadas perfeitas, musica calma e lençóis de linho.

Saudades da sabedoria conciliadora e mordaz da minha mãe. Do alto do seu gigante metro e meio, distribuia com mestria e autoridade, tanto conselhos avisados, como alfinetadas em forma de provérbio. A falta que uns e outros fazem no meu mundo.

Se vocês pudessem sentir o cheirinho a bolo de chocolate que saí do meu forno, juro que não me largavam a porta. E sabendo que vai levar por cima uma ganache de chocolate de caramelo salgado, então nem quero imaginar.

Ocorreu-me agora que não há ninguém que diga palavrões para uma multidão com tanta classe como o Nick Cave. E não há dúvidas que o fato justo sem gravata, e o cabelo  puxado para trás ajudam na tarefa.

Aos mortos creio que convém ser deixados a sossegar. Não sou favorável a elogios ou reprimendas. Muito menos a que se lhes escavaque a vida íntima. Cumpra-se o mais famoso epitáfio "descansa em paz". Afinal, nada mudará o que foram em vida.

A propósito de coisas cá minhas, dei de caras com uma coisa que escrevi há muitos anos. "Necessito com urgência de voltar ao russo. A vida é bem mais fácil quando vivida numa língua estrangeira." Nada me parece mais verdadeiro agora. Voltei na altura. Regressarei agora?

As vezes tenho dificuldade em acreditar em certas merdas que os meus olhos vêem. Parece que descemos abaixo do nível do núcleo terrestre. Daqui a nada chegamos à Austrália ou coisa que o valha. Talvez seja essa a salvação.

Hoje só tenho um pequeno desejo, que me escrevas um poema nessa tua língua de tempos idos.

Aviso à navegação. Aqui , não reina a linearidade. A forma é a única coisa que nos interessa. O conteúdo é apenas um meio para atingir o fim absoluto, e poderá ser o maior dos enganos.

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