terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Segunda constatação de ano novo

Por vezes é necessário dar tempo a algumas coisas, muito tempo em alguns dos casos. Nunca achei piada a esta música ou aos tipos que a cantam. Até que na véspera de Natal a escutei na rádio e soou-me perfeita e continua a soar-me assim até hoje.

Constatação de ano novo

Há coisas bem bonitas, que depois de estragadas, por muito que tentemos, nunca mais conseguimos endireitar. A cara do Mickey Rourke é uma dessas coisas.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Insónias

Ao contrário da paixão, que efemeramente se alimenta da ilusão de imortalidade, o amor eterniza-se quando aceitamos que somos mortais.

domingo, 23 de dezembro de 2012

En français, s'il vous plaît.

Apesar de algo inesperado, não me espantou grande coisa o pedido de amizade. O inesperado foi apenas o atraso com que chegou e não propriamente a chegada em si. Aceitei, sabendo que iria abrir uma porta que, em paralelo com a janela aberta em tempos idos, iria causar correntes de ar perniciosas. Ainda assim, abri-a. Tenho este hábito de dar guarida a todos quantos ma pedem. - Mau hábito! - exclamam alguns que dela já usufruíram e dela já se esqueceram. - Hábito. - afirmo eu, sabendo que sou inconfessavelmente mais vulnerável à curiosidade do que à generosidade. Abri a porta, dizia eu, sabendo de antemão que ele entraria por ali dentro, mais cedo ou mais tarde, com o intuito de reclamar o prémio que lhe saiu na lotaria num dia de verão, mas que nunca lhe foi entregue pelo cauteleiro. Não se pôs com rodeios e num português pejado de acento francófono fez saber que me quer, ainda, como me quis naquele dia. Remeti-lhe a expressão do querer para a dimensão real, justificando que sou avessa a declarações virtuais. Foi a  forma que encontrei de lhe atrasar os intentos, de o inocular com o vírus da ponderação. Sei que não me quer para além da vontade de me ter. Sei que, tal como outros antes dele, deseja apenas a sensação de ego preenchido, e que eu sou a melhor nessa matéria. Sei que necessita de mim apenas para diluir a solidão que lhe ocupa os dias festivos. Sei que não lho posso dizer, não desta forma, porque apenas lhe acicataria a teimosia. Remeto, por isso, a declaração para um futuro mais ou menos longínquo, para um encontro real, avisando-o contudo, que a distância e o tempo são arqui-inimigos da fidelidade. Num golpe final e fatal de perversidade digo-lhe que vou ao cinema ver o Amour. Esqueço-me de lhe dizer que vou sozinha, que é assim que gosto de ver cinema. Esqueço-me de lhe dizer que será sozinha que permanecerei, por incapacidade de me dar, porque quero ser de ninguém, para poder ser de toda a gente.

sábado, 22 de dezembro de 2012

"A todos um Bom Nataaaaal, a todos um Bom Nataaaal..."

Nos últimos dois meses trabalhei em média dez horas por dia, algumas das quais em casa, o que implicou transportar entre casa e o trabalho resmas de papel. Andei carregada de um lado para o outro e do outro para um, como o "burro do moleiro". A expressão popular apanhei-a à minha mãe, que conhece tudo o que é proverbio e afim deste país. Em dias de sorte, o "meu" segurança ia ter comigo ao carro para me ajudar a carregar as tralhas  Meu é como quem diz, porque ao que parece, já tem dona e a moça agarra-se a ele com unhas e dentes. Em paralelo, e graças ao James Bond, desenvolvi um interesse perigoso por Gin puro. Vale-me a capacidade que tenho para enjoar sabores e daqui a uns dias passa-me e deixo sequer de conseguir sequer cheirá-lo. Nos últimos meses andei a ler os Irmãos Karamazov acompanhada. Depois de os acabar, já comecei uma série de livros, mas não consigo acabar nenhum. Mesmo o da Teolinda, que apesar de estar a andar, ainda não me convenceu. Hoje tentei persuadir um tipo, com estratégias de psicologia infantil invertida, a emprestar-me um livro que me recomendou e que está esgotado em todo o lado. Mas ao que parece, o livro está em parte incerta e nem a promessa da minha generosidade o impeliu a procurá-lo, e portanto preferiu ir comer percebas. Sim, que aqui no norte não há percebes, há percebas, e também não há merendas, há lanches e acabou a conversa. Portanto, se quiserem comer por cá aprendam a falar a nossa língua ou então sujeitem-se a apontar para as coisas. Hoje foi o primeiro dia em muitos, em que realmente parei. As tarefas urgentes que me atribuíram ficaram cumpridas ontem e por isso decidi meter um dia de férias. Sem a ansiedade dos segundos contados, andei a arrastar-me pela casa, numa espécie de gincana em que ganhava pontos a desviar-me das tarefas domésticas que saltavam para a minha frente. Tornei o meu dia no mais inútil possível. De manhã  dediquei-me à reprodução das músicas dos Xutos que fazem parte da playlist do youtube, "De Bragança a Lisboa...lá, lá lá", de tarde contabilizei as gotas de chuva que escorreram pelo vidro da janela do quarto e quando anoiteceu, liguei as luzes da árvore de Natal e sequenciei as intermitências que cada uma das séries foi produzindo. Até ao dia 26 vai ser assim, como que em modo poupança de energia, para aguentar a bebedeira de vinho do Porto caseiro que me espera na véspera de Natal. Por isso e sem mais delongas, aqui fica o que realmente interessa, o desejo de um Natal feliz para todos os que ainda perdem algum do seu tempo a ler as coisas que eu escrevo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Quero viver mais um dia.

"Fazer amor ou falar contigo tinham algo em comum: num caso ou noutro deixávamo-nos ir, cedendo a uma espécie de música interior, excitávamo-nos mutuamente, num jogo de prazer em que a tensão crescia. E de repente, do encontro dos corpos ou das palavras, algo explodia e brilhava e se tornava imensamente claro: o amor, ou uma qualquer visão das coisas e do mundo."

A Cidade de Ulisses - Teolinda Gersão. (pp. 21)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Solidariedade feminina


Ando a ver televisão a mais

"When you don't have the answers, you've got to live with the questions"

Castle

domingo, 16 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"They're pickin' up pieces of me..." again


És burro ou fazes-te?

Tenho cada vez mais dificuldade em distinguir a ingenuidade da dissimulação.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Entusiasmo



Sou só eu que acho que o Brad parece um trolha neste anúncio? Eu não tenho nada contra trolhas, pelo contrário, até gosto. São tipos que me levantam a auto-estima quando passo perto de uma obra, a mim e a qualquer outra, seja ela uma senhora de oitenta anos, ou a irmã do Ozzy Osbourne. Mas se é para ser trolha, que seja genuíno, daqueles que tem mãos calejadas e roupa suja de cimento e tinta, que as imitações armadas ao pingarelho não são para mim. E sou também só eu que acho que ele está metade do anúncio desprovido de qualquer expressão facial, a modos que a disfarçar e a dizer façam de conta que eu não estou aqui e a outra metade com um olhar de susto que indicia que às tantas aquilo de que fala não é tão fantástico quanto isso, muito pelo contrário? É suposto aquilo vender? Hummm!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Diálogo

"- I may call you.
- I may answer."

CSI Las Vegas