sábado, 24 de novembro de 2012
Há quem diga que isto já ultrapassou o desejo.
Detesto que, quando estou à espera de um mail ou sms que sei que não vai chegar, me entupam o telemóvel e a caixa de correio com mensagens fofinhas que eu apago de imediato, ou com publicidade que tem o exactamente o mesmo destino, ou com mails sobre cadeias que informam que o mundo vai a acabar se forem interrompidas, mas que me trarão felicidade eterna se as propagar. Pior do que não ter as noticias que se espera, é ser constantemente alvejada pelo binómio ilusão/desilusão.
Tenho aqui um bico de obra jeitoso
Numa meio de uma discussão sobre regras e sobre quem manda, que isto por cá não há democracia, comigo e com o pai, a minha filha de sete anos dirige-se a ele respondendo: "- Não vês que estava a ser sarcástica!". E o mais grave é que estava mesmo.
Drama princess
Começa a tornar-se perigosa a minha apurada capacidade de mutilação própria. Enquanto os ferimentos que me fui infligindo se circunscreveram ao músculo cardíaco, nada de mal deles adveio, uma vez que toda a gente sabe que se pode perfeitamente viver sem coração. Mas agora, e às tantas porque já não havia espaço no peito para retalhar, as minhas acções começaram a dirigir-se para os dedos. Em poucos dias, as tarefas perigosíssimas de lavar a varinha mágica e montar a árvore de Natal quase me levavam dois dedos contíguos. Começo a preocupar-me. Sem extremidades não consigo escrever. Sem a escrita de pouco valerá viver.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Músicas perfeitas #2
(quando eu entrava e os via sentados ao balcão a tocar viola aproximava-me devagarinho e fazia o meu melhor beicinho. eles já sabiam ao que eu vinha e com enfado encenado lá começavam a tocar os primeiros acordes. eu tinha 19 anos e vivia "na casa deles", o Mosquito. eles eram bastante mais velhos e adoravam fazer-me as vontades.)
Se não te respeitas a ti próprio...
Há poucas coisas que me causem tanta repulsa como a violação da correspondência alheia. Nos últimos tempos têm-me chegado aos ouvidos casos repetidos de pessoas amigas que veem os telemóveis, contas de e-mail, contas de facebook... espiadas pelos cônjuges ou afins. Esta semana contaram-me que a mulher de um amigo comum lhe entrou na conta do facebook e leu as mensagens privadas que ele trocou com outras pessoas, sem que ele soubesse. Ela própria confessou, alegando que o tinha feito sem intenção, apenas porque entrou por engano na conta dele. No entanto, não se coibiu de tirar satisfações com o correspondente do marido, acerca da uma das conversas que leu sem querer, claro, de fio a pavio. Hoje sem explicar porquê, proibi o meu amigo de voltar a trocar mensagens escritas comigo. Já não é a primeira vez que o faço com alguém das minhas relações, pelas mesmas razões. Não gosto de ver a minha vida privada devassada. Até porque, quem me conhece sabe que eu não tenho pudores em dizer o que penso e sinto, cara a cara, em voz alta. Mas também sabem que resguardo a minha intimidade com unhas e dentes. Assim sendo, só espero que a senhora em causa não tenha a veleidade de vir pedir-me algum tipo de justificações nos próximos tempos. Não serão certamente palavras bonitas aquelas que terei para lhe comunicar.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Verdades incontornáveis
As palavras são sempre mais esclarecedoras que o silêncio, mesmo quando ditas fora do tempo.
domingo, 18 de novembro de 2012
É verdade que isto já não tinha grande credibilidade.
Eu poderia, neste domingo à noite, estar a dedicar-me a uma qualquer tarefa que cultivasse a minha erudição, mas em vez disso estou alapada no sofá a ver isto pela vigésima quinta vez (no mínimo), e a adorar cada minuto da canastrice do Vin Diesel. A minha única desculpa é que Praga é uma cidade maravilhosa, onde vale sempre a pena voltar.
Incredulidades
Hoje, durante a habitual discussão semanal que decorre com pontualidade ao almoço de domingo, eu e o meu pai concordamos em pleno. Foi a primeira vez que isso aconteceu em toda a nossa vida, ou para ser mais precisa, em toda a minha vida. Nenhum dos dois conseguiu muito bem perceber o que aconteceu, ou inverter a situação e terminamos o almoço em silêncio, com uma expressão de susto espelhada no rosto.
sábado, 17 de novembro de 2012
O seu estado de espírito é definido pelas músicas que a atormentam # 12
(eu sei pouco disto que fala o Thom, sei pouco do amor, sei ainda menos da verdade, mas apetece-me esperar, dezoito mil novecentos e sete dias, se necessário for)
Sabes?
"- Eu sei. Diabos me levem por este meu mau feitio. Um ataque de ciúmes! Quando me estava a despedir dela, arrependi-me, beijei-a. Mas não lhe pedi desculpa.
- Por que não lhe pediste desculpa! - exclamou Aliocha.
Mítia, de repente, riu-se quase com alegria.
- Deus te guarde, querido rapaz, de alguma vez pedires desculpa à mulher amada! Sobretudo à mulher amada, por mais culpado que sejas para com ela! Porque a mulher, meu amigo, é...só o Diabo sabe o que ela é. De entre o pouco que conheço, às mulheres conheço-as bem! Se confessarmos à mulher a nossa culpa, desaba logo em cima de nós uma avalancha de censuras! Nunca nos perdoará directa e simplesmente, antes nos humilhará até mais não poder ser, antes nos acusará, mesmo de coisas que nunca aconteceram, não deixará passar nada mas, pelo contrário, acrescentará ainda alguma coisa da sua parte, e só depois perdoará. A melhor, a melhor de todas fará assim!"
Fiódor Dostoiévsy. Os Irmãos Karamazov. (pp. 314, vol II)
- Por que não lhe pediste desculpa! - exclamou Aliocha.
Mítia, de repente, riu-se quase com alegria.
- Deus te guarde, querido rapaz, de alguma vez pedires desculpa à mulher amada! Sobretudo à mulher amada, por mais culpado que sejas para com ela! Porque a mulher, meu amigo, é...só o Diabo sabe o que ela é. De entre o pouco que conheço, às mulheres conheço-as bem! Se confessarmos à mulher a nossa culpa, desaba logo em cima de nós uma avalancha de censuras! Nunca nos perdoará directa e simplesmente, antes nos humilhará até mais não poder ser, antes nos acusará, mesmo de coisas que nunca aconteceram, não deixará passar nada mas, pelo contrário, acrescentará ainda alguma coisa da sua parte, e só depois perdoará. A melhor, a melhor de todas fará assim!"
Fiódor Dostoiévsy. Os Irmãos Karamazov. (pp. 314, vol II)
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