quinta-feira, 19 de julho de 2012

O que fica sempre por dizer.

O medo irracional do desconhecido, não da dor.
Porque a dor apaga-se com a mesma agulha que a origina, com o sono que chega devagar, enquanto se dizem os números ao contrário, porque a dor, ainda que da pior forma, é a força que nos revela que vivemos um dia atrás do outro, que nos objectiva, que nos prospectiva.
O medo irracional do desconhecido, não da dor. 
Porque o desconhecido permanece sem apontar uma data para a sua completa extinção, porque o desconhecido, sem qualquer lógica ou razão, já se insinua hoje, fortalece-se amanhã de manhã e promete manter-se inabalável até ao principio da eternidade. 
O medo irracional do desconhecido, que é a pescadinha de rabo na boca que me torna num ser irracional e me faz ter medo de viver com medo.
O medo irracional que me fragilizou, me tornou quebradiça, me impediu de te dizer hoje, enquanto vagueava entre milhões de palavras escritas em folhas de papel que, mais do que do som da tua voz, do que eu precisava era de um abraço teu.


sábado, 14 de julho de 2012

Far West

Passo as duas últimas semana imersa em homens, numa tarefa homérica de avaliação. São cerca de cinquenta no total. Junto-os em grupos, separo-os, volta a juntá-los e por fim isolo-os. Em média, passo cerca de três horas com cada um, a esmiuçar-lhes a vida de fio a pavio. Em média passam três horas comigo, empenhados em manobras de sedução que visam convencer-me que são aquele, o que eu quero, o que tornará a equipa vencedora. Hoje, incapaz  de suportar qualquer companhia masculina, isolo-me e inicio a dolorosa escolha. Necessito de decifrar as notas que fui garatujando numa caligrafia que nem sempre compreendo. Aos poucos, muito lentamente, vou formando o grupo, juntando um a um... Toca o telefone . Interrompem-me o raciocínio para me perguntarem do tiroteio. Tiroteio? - pergunto. Que tiroteio? Do outro lado, um riso nervoso informa-me que acabou de haver um tiroteio entre os meliantes do costume e a polícia, ali ao lado, a cinco metros. Olho pela janela e observo as manobras. Respondo que não, que não ouvi o que quer que fosse, que tenho estado ocupada e que não dei conta, e desligo, para rapidamente esquecer o que se passa lá fora e mergulhar de novo na construção de Legos que me ocupou o dia. São nove da noite quando termino. Olho pela janela e é quase noite. Vejo que a rua está livre de policia, e por algumas horas, estará também livre de bandidos. Antes de me fazer à estrada, procuro a noticia nos jornais digitais, mas não encontro. Penso que desta vez foi deve ter sido coisa pequena, daquelas que não merecem que qualquer jornalistas se mace. Afinal, a Dália até se separou do Bernando e a pobre da Bé não tem para onde ir morar. Ele tem que haver prioridades. E também, assim por assim, de pouco importa. A minha tarefa está cumprida, o "Jorge Costa" e o "Vítor Baía" vão fazer parte da minha equipa, e eu só regresso daqui a quinze dias. Despeço-me do porteiro com um "até ao fim do mês", dito num sorriso. Boas férias doutora, verbaliza ele acenando, enquanto me vê afastar em direcção às malas que tenho para fazer.

(foto da minha war zonegamada ao jornal Público e supostamente tirada aquando do ultimo tiroteio a sério)

sábado, 7 de julho de 2012

Os meus homens...

- Aqueles três só me lixam. Saíram-me cá uns cromos...
- Podes crer. E tu és a dona da caderneta!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Chegou

Gosto de surpresas que, apesar de não serem verdadeiramente surpreendentes, acabam por me surpreender.
Gosto de envelopes verdes.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Coisas que não compreendo mas que me divertem

O desassossego que uns saltos agulha de 10 centímetros causam nos homens.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Já quase pareço aquele gajo, o Marx, mas o das cantigas.

- Vás onde fores, faças o que fizeres, eu continuarei aqui...
- À espera?
- Não. Apenas aqui.

domingo, 1 de julho de 2012

Sexta-feira

Depois de materializado o inevitável, assaltam-me sentimentos ambivalentes, que me prendem em cima de uma espécie de muro, privando-me da vontade de escolher para que lado cair. Mas também de que importa? Seja qual for o lado escolhido/determinado/imposto/sorteado, a energia necessária para iniciar a caminhada é excessiva, e a minha resistência está nos mínimos. Se ao menos eu conseguisse fazer-nos regressar ao estado de abnegação. Se ao menos eu conseguisse obrigar-nos a desistir de nós.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Encontros

O erro crasso não foi começares por pensar que ela seria mais uma. O que te condenou foi a distracção, foi teres-te deixado ficado o tempo suficiente para descobrires que afinal não é assim, que ela não só é ímpar, como é aquela que te faz sentir único. O castigo será saberes que, apesar da sua imagem perdurar na  tua memória até à eternidade, a tua, não durou mais que o tempo de um fosforo a queimar.

O seu estado de espirito é definido pelas músicas que a atormentam # qualquer coisa, porque não me apetece ir ver qual foi o último

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Señor!



(eu bem dizia que ainda ias fazer falta)

terça-feira, 26 de junho de 2012

Algodão doce.

Pergunto-lhe se me pode dar um contacto telefónico alternativo. Responde que sim, que me pode dar o número do telemóvel da mulher. Estende-me o telefone e pede-me, por favor, que o copie do visor, porque "isto da idade dá cabo de um homem, e os números que aparecem são demasiado pequenos para estes olhos cansados". Pego no aparelho e preparo-me para copiar o número. Sem querer, e porque seria quase impossível não o fazer, devido à contiguidade das letras e dos números, leio a palavra-nome que aparece no visor, AMOR, em letras maiúsculas, sem mais. Sem ter percebido, devo ter esboçado um sorriso indiscreto, que espelhou a ternura que tal visão me inspirou, pois logo que lhe devolvo o telefone diz, num tom de bazófia encenada e pouco convincente, "É o número da minha Maria!".

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tudo desaparece à tua chegada.

O que me tira da boca o travo de um dia azedo?
Uma guerra pela mangueira, enquanto regamos o jardim, que nos deixa a ambas encharcadas até à raiz dos cabelos; a pele e a roupa a secar ao calor da fim da tarde, enquanto corremos como loucas a brincar à apanhada; as tuas gargalhadas que me contagiam e se tornam minhas.