quinta-feira, 28 de junho de 2012

Encontros

O erro crasso não foi começares por pensar que ela seria mais uma. O que te condenou foi a distracção, foi teres-te deixado ficado o tempo suficiente para descobrires que afinal não é assim, que ela não só é ímpar, como é aquela que te faz sentir único. O castigo será saberes que, apesar da sua imagem perdurar na  tua memória até à eternidade, a tua, não durou mais que o tempo de um fosforo a queimar.

O seu estado de espirito é definido pelas músicas que a atormentam # qualquer coisa, porque não me apetece ir ver qual foi o último

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Señor!



(eu bem dizia que ainda ias fazer falta)

terça-feira, 26 de junho de 2012

Algodão doce.

Pergunto-lhe se me pode dar um contacto telefónico alternativo. Responde que sim, que me pode dar o número do telemóvel da mulher. Estende-me o telefone e pede-me, por favor, que o copie do visor, porque "isto da idade dá cabo de um homem, e os números que aparecem são demasiado pequenos para estes olhos cansados". Pego no aparelho e preparo-me para copiar o número. Sem querer, e porque seria quase impossível não o fazer, devido à contiguidade das letras e dos números, leio a palavra-nome que aparece no visor, AMOR, em letras maiúsculas, sem mais. Sem ter percebido, devo ter esboçado um sorriso indiscreto, que espelhou a ternura que tal visão me inspirou, pois logo que lhe devolvo o telefone diz, num tom de bazófia encenada e pouco convincente, "É o número da minha Maria!".

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tudo desaparece à tua chegada.

O que me tira da boca o travo de um dia azedo?
Uma guerra pela mangueira, enquanto regamos o jardim, que nos deixa a ambas encharcadas até à raiz dos cabelos; a pele e a roupa a secar ao calor da fim da tarde, enquanto corremos como loucas a brincar à apanhada; as tuas gargalhadas que me contagiam e se tornam minhas.

I'm in love with two norwegians

domingo, 24 de junho de 2012


Harmonie du soir

Voici venir les temps où vibrant sur sa tige
Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir ;
Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir ;
Valse mélancolique et langoureux vertige !

Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir ;
Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige ;
Valse mélancolique et langoureux vertige !
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir.

Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,
Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir !
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir ;
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige.

Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir,
Du passé lumineux recueille tout vestige !
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige...
Ton souvenir en moi luit comme un ostensoir !



Charles Baudelaire - Fleurs du mal

Passatempos

O meu divertimento preferido continua a ser armar-me em burra perante a desonestidade mascarada de esperteza saloia. Gosto de colocar o sorriso numero trinta e três e um ar aluado de quem nada percebe. E depois ficar a observar o ar de comprometimento e desconforto dos armados em espertos, que conhecendo as minhas capacidades, tentam discernir se estou "a leste" da filha-da-putice que andam a perpetrar, ou se simplesmente me divirto enquanto vou atrasando a resposta aos seus actos.

sábado, 23 de junho de 2012

Filosofia desportiva

Como o próximo jogo da selecção portuguesa poderia ser muito mais disputado.

Yohan Cabaye
Cédric Carasso
Mathieu Debuchy
Olivier Giroud


Florent Malouda


(fotografias que eu não me importaria de ter tirado, mas que foram gamadas na internet, a diferentes sites desportivos)

Encore un autre

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Vá lá que ontem acalmou.

Até quarta-feira e desde o início da semana fui presenteada com um jantar, um manjerico, uma visita a meio do horário de trabalho, um conjunto de palavras delicodoces escritas e uma cena de ciúmes, provenientes de cinco sujeitos/objectos (vá-se lá saber) diferentes. Ao dissecar a interacção com cada um deles, apercebo-me que apenas um consegue aproximar-se disso que é empatar numa discussão comigo e que os outros, para grande tristeza minha, nem com muito treino lá chegarão. E isso é uma coisa que me aborrece. Já se sabe que nisto da disputa argumentativa, eu não aceito outro resultado que não seja a vitória. Mas gosto tanto que me dêem luta, mesmo que todos saibamos de antemão que serei eu quem vai acabar por cima.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Numa janela de saída


A nú

Sou filha única e durante um ano e pouco fui neta única. Quando o nascimento do meu primo destruiu este último estatuto, ganhei o de neta preferida dos meus avós paternos e mantive-o até ao final dos seus dias. Como tal, cresci num ambiente de muito afecto e mimo, mas também de muitas restrições. Cresci num ambiente em que me ensinaram a não aceitar tudo o que me querem impor, e a lutar pelos meus objectivos até às ultimas consequências, mas fazendo-o sempre de forma justa e honesta. Por não ter quem me abrisse caminho, fui obrigada a aprender técnicas sofisticadas de negociação para conseguir sacar o que quer que fosse ao meu pai, que nesta coisa de ceder é como uma estrutura anti-terremotos. Ganhei-lhe algumas discussões e perdi muitas outras, quase todas, aliás. Com ele, e com a falta de alguém com quem partilhá-lo, aprendi a ser autónoma e a tentar gerir a minha vida sem depender muito dos outros. À custa disso tornei-me algo individualista e por vezes tenho dificuldade em ceder o meu espaço, o meu tempo, ou a mim própria. Mas o principal legado que me foi passado, só a mim, foi que apenas devo fazer aquilo em que acredito ou, em situações dúbias, aquilo que, não acreditando totalmente, considero razoável. E portanto não aceito que me imponham vontades só porque sim, sem uma explicação, sem me fazerem acreditar que efectivamente deve ser assim. Esta atitude retira-me privilégios amiúde, mas também me confere o respeito de alguns, em particular daquele que está acima de mim na cadeia hierárquica profissional. Aos outros, apenas causa estranheza, ou medo, ou uma dificuldade imensa em lidar comigo, o que conduz a que me apelidem de irascível, selvagem ou intratável. Sei que sou isso tudo e muito mais. E acima de tudo sei, porque isso fez a minha mãe questão de me ensinar, que quando me falam de "cima da burra", devo responder à altura, garantindo sempre que a minha burra é maior que qualquer outra.