sábado, 14 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Havia necessidade?

Entram a gritar com o mundo e comigo, como se o ruído que fazem resolvesse a precariedade instalada. Depois de permitir um ou dois minutos de algazarra, com alguma paciência, apresento os meus argumentos, numa tentativa habitualmente vã de que me escutem em sossego. Continuam a vociferar impropérios da mais diversa ordem. Ainda em voz baixa, que a minha voz aguda soa como um cacarejo quando a elevo, incito-os a que baixem o tom de voz, habitualmente sem sucesso. Repito a sugestão, desta vez de forma um pouco mais impositiva, acrescentando com a expressão facial mais neutra que me assiste, que não gosto que me gritem, pelo que só continuaremos a conversa se falarem baixo. O espanto causado por tal atrevimento cala-os e permite-me apresentar os argumentos que confirmam sempre que a razão está do meu lado. Já em sossego, e enquanto exponho as alternativas que têm à disposição, vão acenando com a cabeça em sinal afirmativo, mostrando-se na disposição de pôr em prática qualquer sugestão que lhes seja dada. Quando dou por terminada a interacção, agradecem e abandonam o espaço despedindo-se com toda a amabilidade e sussurrando um "Até breve!". São homens que não sabem senão mandar. São homens que se despem de todo o autoritarismo, e se deixam cobrir com o manto da submissão, sempre que encontram uma mulher que não se deixa dominar.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

domingo, 1 de abril de 2012

Não sei dizer adeus.

Não se atrevem a declara-lo, mas dirigem-me o olhar e o silêncio como se fosse um dedo em riste, apontado ao meu egoísmo, tentando obrigar-me a mudar o sentido da minha vontade. Não compreendem porque me recuso a agir ou reagir se, afinal, poderá ser esta a ultima oportunidade de o fazer. Não sabem que depois de tudo se esvair, são as memórias o que perdura, e que as estas são demasiado poderosas. Não compreendem porque declino a oportunidade de um recordação final. Não me dou ao trabalho de lhes responder que prefiro preservar a melhor que tenho, aquela que, com toda a certeza, será a que ele quer ver guardada.

sábado, 31 de março de 2012

Através da montra da vida

"Calculei que a minha ausência os deixasse felizes ou que pelo menos os fizesse esquecer que não eram nem jamais viriam a sê-lo."

O jogo do anjo - Carlos Ruiz Zafon (pp. 59)

Falida, mas com um sorriso nos lábios.


quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mefistófeles

"Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio em troco de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de lhe dar um tecto, um prato de comida quente ao fim do dia e aquilo por que mais anseia: ver o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente lhe sobreviverá. Um escritor está condenado a recordar esse momento pois nessa altura já está perdido e a sua alma tem preço."

O jogo do anjo - Carlos Ruiz Zafón (pp.11)

domingo, 25 de março de 2012

O Sr. Fonseca estraga-me com mimos.

Primeiro foram as videiras, que um dia irão proteger a pele do sol;


depois vieram as framboesas, que me deliciam o paladar no verão;


entretanto convenci-o de que era necessário o cheiro das alfazemas;




e, não tarda nada, serão os meus olhos os presenteados.


Uma manhã de domingo

Acordo, mais cedo do que deveria, com o patrocínio da vizinha de baixo que bate com as portas e grita com os cães. São 10 da manhã e as míseras 5 horas que dormi não chegam para atenuar a ressaca das três cervejas que bebi durante a noite. O estatuto de "amiga cool" que me foi conferido durante anos, quase à revelia da minha vontade, aniquilou a resistência das minhas células ao álcool e transformou todas as manhãs "a seguir" num estertor dilacerante. Exagero, é certo, mas a discussão em voz alta dos vizinhos do lado, potencia a minha já conhecida tendência para o excesso trágico-dramático. Tomo banho a custo, e depois de vestida com o primeiro trapo que me aparece, resolvo comer o pequeno-almoço no jardim. Empanturro-me de hidratos de carbono que, se não me atenuam os martelinhos que ainda tenho dentro da caixa craniana, pelo menos confortam o estômago e preparam-no  para a dose dupla de cafeína que lhes seguirá. Transporto comigo o portátil e sentada entre as almofadas, com o sol a aquecer-me o rosto e os pés, resolvo pôr em dia as leituras. Qual não é o meu espanto quando, a meio de um post, num dos blog que sigo com toda a atenção, tal é a qualidade, quer da escrita, quer das fotos que vão sendo publicadas, verifico que o mesmo é sobre uma Maria, uma mulher que tem o privilégio de ser única a ler as palavras do autor, uma mulher que ele descreve como perturbante, uma mulher que perturba, apenas porque perturbar lhe dá prazer. Releio as palavras escritas e aceno afirmativamente com a cabeça, concordando com cada uma delas. Questiono o mundo que me rodeia em voz alta:
- Serei assim tão transparente?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Quando te fores.

Perguntas-me, num tom intimista e indicador de que estás cheio de vontade de me confidenciar, embora te sintas tolhido pelo dever da confidencialidade que te é imposto, se não me interrogo acerca das razões porque me solicitas tais informações. Respondo-te que não sou muito curiosa e que sei que há perguntas que devem aguardar por resposta sem serem proferidas. Acrescento, ainda, com o olhar provocador com que a ti me dirijo habitualmente, que vou lendo nas entrelinhas. Atiro-te com um sorriso enigmático e entrego-te mais um papel para assinares. Enquanto aguardo, projecto o futuro e prevejo que o que aí vem não será bom para mim ou para ti, mas será certamente o melhor para nós.

segunda-feira, 19 de março de 2012