Recebe-nos de braços abertos e com o coração nas mãos. Pede-nos para a percorrermos, centímetro a centímetro, premiando a nossa obediência com pequenos tesouros que esconde dos olhos menos atentos. Arrebata-nos com a grandiosidade dos seus marcos e comove-nos com a opulência dos mais ínfimos pormenores. Não nos conquista pela beleza, que quase poderemos dizer que é banal. Cativa-nos pelo suave aconchego que, desinteressadamente e sem pressas, nos cola à pele e aos sentidos.
Mais do que tirar a respiração, Berlim consegue pôr-nos a respirar mais devagar.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Definições
Vivo a minha vida à boleia dos pretextos. É sempre necessário mais um para que algo aconteça, para que o passo seja dado. Mas depois, posta em movimento a engrenagem, já nada a faz parar. Não sou pró-activa, sou simplesmente activa.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Os meus vizinhos velhotes andam ali a ameaçar-se de tiros de caçadeira
Num esforço para compreender os pontos de vista alheios, persisto em escutar atentamente até ao momento em que o cansaço provocado pelos discursos egocêntricos me vence. Nessa altura, adquiro um género de surdez histérica e passo a ouvir apenas música na minha cabeça. Trálálá. Trálálá...
O John Huston já tinha feito bem melhor
Prefiro um Cronenberg atormentado, atento ao mais ínfimo pormenor da construção das personagens, obsessivo com rigor das metáforas e das ambiguidades e mestre na manuseio das imagens (ao ponto transformar as manchas de humidade em potenciais placas Rorscharch), a este David totalmente resignado, pouco rigoroso na estruturação das figuras, descuidado com a fotografia e incapaz de aludir ao simbólico. Gosto da memória que tenho do Cronenberg. Não gosto daquilo em que ele se tornou.
... now I take Berlim.
"They sentenced me to twenty years of boredom
For trying to change the system from within
I'm coming now, I'm coming to reward them..."
Leonard Cohen - First we take Manhattan
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
Tudo serve de desculpa.
Em frente à televisão, a ver uns episódios da Anatomia de Grey, num daqueles canais por cabo, percebo que apanhei a história a milhas de distância do momento em que a deixei. Não sei o que aconteceu aos personagens entretanto, mas estou a diverti-me à grande a imaginar. A coerência temporal das narrativas é definitivamente o pormenor menos importante.
Amor #2
Reconciliei-me ao fim de quase 6 anos de desculpas esfarrapadas e de manobras de fuga aos meus deveres de acompanhamento e vigilância, para os quais encontrava sempre um substituto à altura, que me livrava das duas horas que antecipava como um massacre à boa utilização do meu tempo.
Reconciliei-me ontem quando, à força da falta de alguém que fosse no meu lugar, te acompanhei a contragosto e de mau humor, esperando que o tempo corresse rápido e sem dor.
Reconciliei-me um pedacinho quando me entreguei ao espaço e dei conta que a zanga não se tratava de mais do que uma birra datada dos tempos da pré-adolescência, provocada pelo tempo de antena que era ocupado na televisão, no período natalício.
Reconciliei-me definitivamente, quando senti o teu riso sonoro entrar-me pelos ouvidos, e dei por mim a rir contigo à custa das piadas simplistas, ou quando murmurámos Ohs! de espanto em sintonia, cada vez que os artistas temerários arriscavam uma proeza mais audaciosa.
Reconciliei-me enfim, porque não poderia deixar de o fazer, porque não consigo ficar zangada com o que te faz feliz.
Reconciliei-me de vez, e no próximo ano quero voltar ao Circo, contigo.
Reconciliei-me ontem quando, à força da falta de alguém que fosse no meu lugar, te acompanhei a contragosto e de mau humor, esperando que o tempo corresse rápido e sem dor.
Reconciliei-me um pedacinho quando me entreguei ao espaço e dei conta que a zanga não se tratava de mais do que uma birra datada dos tempos da pré-adolescência, provocada pelo tempo de antena que era ocupado na televisão, no período natalício.
Reconciliei-me definitivamente, quando senti o teu riso sonoro entrar-me pelos ouvidos, e dei por mim a rir contigo à custa das piadas simplistas, ou quando murmurámos Ohs! de espanto em sintonia, cada vez que os artistas temerários arriscavam uma proeza mais audaciosa.
Reconciliei-me enfim, porque não poderia deixar de o fazer, porque não consigo ficar zangada com o que te faz feliz.
Reconciliei-me de vez, e no próximo ano quero voltar ao Circo, contigo.
sábado, 3 de dezembro de 2011
És teimosa como uma mula.
Comprei-o pela terceira vez, a preço de saldo, que é como quem diz mais barato que um bilhete de cinema, na versão original e em tamanho pequeno. Entro na corrida com atraso, mas com a certeza que chegarei à meta vencedora. No final, afirmarei com propriedade: "- Foi feito em termos!"
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Círculos viciosos
No período de um ano, a história deu uma volta completa e retornou ao seu início. Num mesmo espaço, os personagens principais repetiram os mesmos rituais. Por desleixo, deixaram a Zubrówka chegar ao fim e tiveram que recorrer a Siwucha para atear o lume. Iniciaram um novo ciclo. Sabem que o caminho não poderá ser percorrido de forma igual. Descobriram que os pormenores determinam a diferença.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Era suposto ser um momento de entretenimento
Sem paciência para um mundo de imbecis que chegam tarde ao cinema e ainda se põem a discutir com quem está sentado quieto e direito no lugar que lhe foi atribuído. Sim, porque de certeza que se eles não têm lugar livre, a culpa é da gaja que está sentada sozinha e até lhes mostrou o bilhete que estava de acordo com a cadeira em que se sentou, e não dos outros anormais que tal como eles também não conhecem as letras nem os números. Bem, às tantas até têm razão. Quem manda à gaja ser idiota e ir ao cinema na véspera de feriado à noite?
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