segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
Paradoxos
La perspective de ta bouche
Ta bouche tout près de l’oreiller
Loin et lointaine
À deux doigts de la mienne
Le rêve s’amuse
Et nous sépare
Avec les pas minutieux de l’oubli
Tes lèvres bougent à peine
J’ai le couteau qui brille
Propre à quelques millimètres
De ta joue sèche
Comme du papier
Prêt pour tuer
La perspective du pardon
Je voudrais l’enfoncer
Dans la chair de ta bouche
En biais dans la plénitude
Lente dans sa jouissance
Crève crève
Je susurre et ton bonheur endormi
Me rends jalouse
De la beauté de ton horizon vertical
Dans la perspective de ta langue.
Zoé Valdès
2008
Empire State
Foi-se aproximando, lentamente, com a discrição que o distingue do resto do mundo. Chegou à entrada da porta e, sem se fazer anunciar, esperou. Contra todas as probabilidades e para espanto de quem os rodeava, ela deixou-lhe a porta aberta para que entrasse quando fosse seu desejo. Durante algum tempo ele deambulou pelo átrio. Aos poucos, perdeu os receios e começou a ascender na escadaria, passo a passo, muito devagar, porque não é homem de pressas, parando em cada patamar para descansar, para a deixar descansar. Sem alarido ele foi subindo e ela, aventureira, foi acolhendo e reforçando cada um dos seus progressos.
Na última noite de tempestade resolveram aquecer-se com bebidas quentes, num local que ela há já muito queria dar-lhe a conhecer. E enquanto iam trocando entre si os sabores e brincavam aos fotógrafos com telefones móveis e riam à gargalhada captando a atenção e o espanto dos olhares indiscretos, ela compreendeu que, durante a viagem que demorou cerca de dez anos, ele se tinha instalado na penthouse do arranha-céus que ela usa para metaforizar a amizade e que, perto ou distante, já nada nem ninguém de lá o conseguirá desalojar.
Na última noite de tempestade resolveram aquecer-se com bebidas quentes, num local que ela há já muito queria dar-lhe a conhecer. E enquanto iam trocando entre si os sabores e brincavam aos fotógrafos com telefones móveis e riam à gargalhada captando a atenção e o espanto dos olhares indiscretos, ela compreendeu que, durante a viagem que demorou cerca de dez anos, ele se tinha instalado na penthouse do arranha-céus que ela usa para metaforizar a amizade e que, perto ou distante, já nada nem ninguém de lá o conseguirá desalojar.
sábado, 19 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Desejo(s)
Liberta-te do casulo,
ainda larva
ou já borboleta.
Arregala os olhos,
para o céu
ou para os meu ser.
E se o sol,
com a sua intensidade,
te ferir as pupilas,
encerra as pálpebras,
e volta a ler-me,
em voz alta,
de olhos fechados,
com a ponta dos dedos.
ainda larva
ou já borboleta.
Arregala os olhos,
para o céu
ou para os meu ser.
E se o sol,
com a sua intensidade,
te ferir as pupilas,
encerra as pálpebras,
e volta a ler-me,
em voz alta,
de olhos fechados,
com a ponta dos dedos.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Era uma vez uma rapariga, era uma vez...
Já chamaram muita coisa ao meu mau feitio, mas "simpática directividade" é inédito.
E a ela também.
Monumentos a eventos que nunca se deram:
Às guerras sangrentas nunca travadas.
Às grandes tiradas engolidas ao soar
a voz da prisão. À consagrada união
do corpo nu com o pinheiro anão
que deu o São Sebastião.
Aos aviadores que subiram às nuvens
num piano alado. Ao inventor do motor
que usa como carburante
o lixo das recordações. À esposa do navegante
ensimesmado sobre um solitário ovo em omoleta.
Às Constituições desnudadas. Às independências
de opulento seio. Aos cometas
que à Terra passaram tangentes
(perseguindo um infinito, cujos sinais
são em parte os das nossas paisagens).
Ao coito interrompido, nas barbas do preso,
entre a ideia de autoridade
e a vegetação. Ao achamento
da Infártica, bairro ignoto
do outro mundo. Ao cubista doidivanas
que captava nos telhados o soprano
do telégrafo. Ao suicídio do Tirano
por amor não correspondido.
Ao terramoto – sublinha um contemporâneo –
com deleite pelo povo recebido.
À mão que nunca pegou em dinheiro,
para não falar em membro viril.
Ao total de folhas verdes com direito
inato a desprezar a sua diversidade.
À felicidade. Aos sonhos que impuseram à realidade,
à custa das pessoas, a sua própria arbitrariedade.
1988
Пейзаж с наводнением. Иосиф Бродский
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Os empréstimos que se tornam surpresas, as surpresas que se tornam presentes.
"...já temos uma rapariga, uma linda rapariga. Outras virão, e, em tais condições, nada há que possa durar.
Senão tudo isto seria sempre muito mais divertido; mas com as raparigas é preciso haver tristeza; não é que elas gostem do que é triste - pelo menos é isso que afirmam - mas é uma coisa que nasce com elas. Com as bonitas. Das feias pouco há para dizer: já basta que existam."
O Outono em Pequim. Boris Vian, pp. 57
Senão tudo isto seria sempre muito mais divertido; mas com as raparigas é preciso haver tristeza; não é que elas gostem do que é triste - pelo menos é isso que afirmam - mas é uma coisa que nasce com elas. Com as bonitas. Das feias pouco há para dizer: já basta que existam."
O Outono em Pequim. Boris Vian, pp. 57
Desta vez vens para ficar?
Duvido da minha capacidade para compreender o tempo, quando descubro que apesar da tua presença sempre se ter medido em dias, as tuas ausências continuam a medir-se em anos.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)
