segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Love, love will tear us appart again..."

A crueldade das certezas mais que absolutas reside na capacidade de, quando se instalam ou reinstalam, reduzirem ao relativo toda realidade que as rodeia.

domingo, 13 de novembro de 2011

Le désespoir

Escrevo, apago, volto a escrever e volto a apagar, escrevo de novo. Aproveito todas as desculpas para me distrair e não trabalhar: o gato que se deita ao meu lado e a quem emaranho as mãos no pêlo; a música francesa que toca no leitor de CD's e conduz a minha atenção para os poemas debitados pelos cantores; o Google Reader que teima em actualizar as minhas leituras de eleição quase ao minuto; a sede que, apesar de imaginária, me impele a levantar e reabastecer a caneca com chá conservado quente pelo termos de metal...
O tempo que me foi dado esgota-se e eu, que não sei senão cumprir prazos, continuo árida de ideias e palavras e intenções. Sei que sou a única responsável pelo atraso iminente, e ainda assim começo a distribuir culpas ao mundo e a ele, porque, apenas com o olhar, foi capaz de me lançar para cima o desesperante peso da perfeição.

Eu nem sou destas coisa, mas hoje apeteceu-me "repostar"

(as coisas em que me fazias pensar, mesmo antes de de eu sequer imaginar...)

Mode d'emploi

Queres mesmo saber? Tens a certeza? Então eu ensino-te.



Começas por dar-lhe um pedaço de atenção. Não poderá ser em excesso, mas terá que ser em dose suficiente para que repare em ti. Depois de te certificares que foste sinalizado, começas a distribuir atenção por outras, com grande alarido, mas aleatoriamente, para que não pense que desviaste o interesse. Assim captarás a sua atenção. De seguida, e agora que ela já te viu, necessitas de tomar medidas para te distanciares, de forma a que te vislumbre como uma figura misteriosa, quase inalcançável, montada num pedestal. Por breves segundos, e em momentos escolhidos criteriosamente, podes descer à terra e tornar-te quase acessível, quase corpóreo. Nesses instantes aproxima-te dela, até que ela sinta que quase pode tocar-te, e quando estiver quase a chegar a ti, sobes de novo as escadas e voltas à tua torre. Durante estas viagens mostra-lhe que, perto ou distante, a cordialidade é o fio condutor da tua conduta e que nada te desviará dela. Durante estas viagens estuda-a ao pormenor, aprende-lhe todas as vontades e propensões e depois de a saberes de cor, num dia escolhido através de cálculos matemáticos complexos, atira-lhe com um elogio à característica que ela mais valoriza, e depois ignora os agradecimentos dela. Desaparece de novo da sua vista, para que sinta a tua falta. Deixa-a a pensar que foi esquecida. Quando ela pensar que desististe, reaparece e volta a elogia-la e mais que isso, mostra-te interessado pelas suas coisas. Mantém a tua posição de inatingível, mas através de mensagens encriptadas, mostra-lhe que é apenas para o resto do mundo, porque para ela estás à distância de um toque. Basta, para isso, que ela te queira tocar. Deixa-a aproximar-se devagarinho. Deixa-a chegar até ti. Deixa-a sentir que não vais arredar pé dali. E pronto! Ela acabou de render-se e entrega-se a ti. Agora só terás que aprender a mantê-la...

De céu espantada? #3

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Na tua pele

O estafermo do inconsciente brinca às associações livres e, à revelia da sua vontade de ferro, cola as músicas que ela ouve, com super cola 3, àquilo que lhe vai acontecendo na vida. Com algumas faz um trabalho tão bom, que nem a famosa benzina com os seus poderes dissolventes consegue reparar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

De céu espantada? #2

Eu não posso ir a lado nenhum.

Uma hora inteira de consulta com o pneumologista, dividida da seguinte forma: cinco minutos a auscultar e passar receita de remédios para a asma, para seis meses; cinquenta e cinco minutos a discutir a organização social do mundo ocidental e o colapso iminente dos mercados financeiros. E tudo isto por causa do Slavoj  Žižek.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amizade?

Abro a caixa de correio electrónico de que me vou esquecendo amiúde. Dou de caras com mais um dos paradoxos da minha vida a encimar a tela verde. Sou, de novo, transportada para um quadro de Dali. E eu que só queria que me deixassem viver num Turner.


(imagem retirada daqui)

Sometimes...

domingo, 6 de novembro de 2011

Filósofos da vida # 6

"A razão e o amor falam línguas diferentes e que não são traduzidas com facilidade [...] O amor não se reconhece nas palavras, que parecem ser propriedade da razão, sendo um território estrangeiro e hostil ao amor. Como um réu no tribunal da razão, o amor está destinado a perder o caso, que na verdade já estava perdido antes de o julgamento começar. Como o herói de O processo de Kafka, o amor é culpado de ser acusado; e mesmo que possamos nos inocentar dos crimes de que somos acusados de cometer, não existe defesa contra a acusação de ser acusado."

A sociedade individualizada. Zygmunt Bauman.  pp. 205-206