terça-feira, 8 de novembro de 2011

De céu espantada? #2

Eu não posso ir a lado nenhum.

Uma hora inteira de consulta com o pneumologista, dividida da seguinte forma: cinco minutos a auscultar e passar receita de remédios para a asma, para seis meses; cinquenta e cinco minutos a discutir a organização social do mundo ocidental e o colapso iminente dos mercados financeiros. E tudo isto por causa do Slavoj  Žižek.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amizade?

Abro a caixa de correio electrónico de que me vou esquecendo amiúde. Dou de caras com mais um dos paradoxos da minha vida a encimar a tela verde. Sou, de novo, transportada para um quadro de Dali. E eu que só queria que me deixassem viver num Turner.


(imagem retirada daqui)

Sometimes...

domingo, 6 de novembro de 2011

Filósofos da vida # 6

"A razão e o amor falam línguas diferentes e que não são traduzidas com facilidade [...] O amor não se reconhece nas palavras, que parecem ser propriedade da razão, sendo um território estrangeiro e hostil ao amor. Como um réu no tribunal da razão, o amor está destinado a perder o caso, que na verdade já estava perdido antes de o julgamento começar. Como o herói de O processo de Kafka, o amor é culpado de ser acusado; e mesmo que possamos nos inocentar dos crimes de que somos acusados de cometer, não existe defesa contra a acusação de ser acusado."

A sociedade individualizada. Zygmunt Bauman.  pp. 205-206

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Where are you?

E não é que o cabrão do reader, com a mania das modernices, fez desaparecer o meu DJ favorito? Bem me parecia que me andava a faltar qualquer coisa...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Restaurador Olex?

(Imagem retirada daqui)

Agora só falta o Moutinho aparecer de carapinha.

ah! o doce sentimento da sensatez...

Questiona-a ironicamente acerca da sua alma vadia. Ela, sempre possuída por um  espirito rebelde, reafirma-se totalmente nómada, alto e bom som. Mas internamente coloca uma questão silenciosa: - E se ela ficasse quieta, o que faria ele dela?

Porque deixaste de vir?

Ela, que as utiliza com mestria para obter toda a informação de que necessita, que as têm como ganha-pão, que com elas consegue manipular meio mundo, não lhes permite que saiam do reduto profissional a que as confinou, e recusa-se  a deixá-las corromper a imaculada rede de princípios que teceu para a sua vida privada. Ela engana-se a si própria quando diz que não faz perguntas porque é assim que as coisas devem ser. Até porque toda a gente sabe que o que a detém é apenas o medo do que lhe possam dizer as respostas.

– Meu corpo, que mais receias?
– Receio quem não escolhi.


– Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro
o corpo torna-se inteiro,
todos os outros ausentes.


Os olhos olham no vago
das luzes brandas e alheias;
joelhos, dentes e dedos
se cravam por sobre os medos...
Meu corpo, que mais receias?


– Receio quem não escolhi,
quem pela escolha afastei.
De longe, os corpos que vi
me lembram quantos perdi
por este outro que terei.


Jorge de Sena - Pedra Filosofal, Poesia I

Baby

Com alguma falta de jeito, ele interpela-a e pergunta-lhe se gosta da música do seu país. Ela responde-lhe que sim, que gosta, mas que apenas conhece aqueles interpretes que correm o mundo, os mais evidentes, e começa a nomeá-los. Ele procura calmamente os auscultadores pendurados na gola da camisola, coloca um no seu ouvido e o outro no ouvido dela e programa o leitor de mp3 para que comece a libertar de dentro de si a voz rouca da cantora que ela prefere. Ela arregala os olhos, admirada. Ele arqueia as sobrancelhas, vaidoso. Ficam a sorrir um para o outro, enquanto se cantam beijos e carícias e desejos e delícias.