domingo, 16 de outubro de 2011

Dei-me conta de que, se usássemos uma interpretação pavloviana da vida, eu seria a tua campainha.

Ou não



Flor ou não

É Flor, ou não.
É bruma, ou não.
À meia-noite vem
De madrugada vai.
Chega, devaneio, vernal, efémero.
Parte, neblina, matinal, sem traço.

Flor ou não. Bai Juyi. Uma antologia de poesia chinesa por Gil de Carvalho. Assírio e Alvim. pp.220-221

sábado, 15 de outubro de 2011

Fenómenos preocupantes

A medida que avanço no tempo vou achando cada vez mais piada a participar em jantares em que praticamente só conheço o anfitrião, e nos quais os restantes participantes pouco ou nada têm em comum comigo.

(Às tantas, desta vez, a culpa foi da sangria. E eu que sempre considerei que a sangria é a pior forma de se estragar ainda mais o vinho de má qualidade.)

Conversas móveis

- Ó mãe, hoje a minha amiga explicou-me como é que os rapazes conquistam a rapariga de quem gostam. - conta-me ela toda entusiasmada
- Ai foi! Então explica-me lá isso a mim. - peço-lhe eu, temendo a resposta.
- Ela contou-me que eles lhes dizem o que sentem por ela e ela fica conquistada. - diz ela confiante nos ensinamentos da amiga.

Apeteceu-me refutar a teoria. Apeteceu-me dizer-lhe que só funciona assim para as distraídas, para aquelas que não conseguem de forma alguma ler sinais, para as que são completamente autistas para o amor. Apeteceu-me explicar-lhe que aqueles que nos interessam realmente não fazem assim, que o perigo não reside nas cordas vocais, mas nos olhos. Apeteceu-me ensinar-lhe que é com uma dança de olhares que eles nos queimam a pele, nos atordoam todos os outros sentidos e nos introduzem o desejo na corrente sanguínea, para o fazer circular a grande velocidade por todo o corpo até à mais distante terminação nervosa. E principalmente apeteceu-me confidenciar-lhe que nesta coisa das conquistas, a primeira e mais importante aprendizagem é que as narrativas verbais comportam todo o tipo de inverdades, enquanto que os olhos, os olhos nunca mentem.

Apeteceu-me, mas acabei apenas por sorrir, e continuei a conduzir em silêncio.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Este post tem linguagem imprópria

Olha! E se fosses cortar o caralhinho? É que se calhar também não te faz falta.

Constatação # 11

A principal característica das ilusões de óptica é que acabam sempre, com maior ou menor rapidez, por se transformar em desilusões, reconfigurando-nos, cada uma dessas transformações, todo o sistema cognitivo. A grande vantagem de se ter uma grande colecção desse tipo de ilusões é que, enquanto estas se mantêm intactas, enchem-nos de euforia, quando se convertem, passam a ser apenas mais um tijolo na parede.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


"Não me importa uma porra que as mulheres tenham os seios como magnólias ou como figos secos; uma pele de pêssego ou de lixa. Também é indiferente se amanhecem com um hálito afrodisíaco ou um hálito insecticida. Sou perfeitamente capaz de suportar um nariz que arrecadaria o primeiro prémio numa exposição de cenouras; mas, isso sim – e nisso sou irredutível –, não lhes perdoo, sob nenhum pretexto, que não saibam voar. Se não sabem voar perdem tempo as que pretendam seduzir-me."
Espantalhos. Oliverio Girondo


Roubado ao Marco, mas com a devida autorização.

Morri e fui para o céu...

Os dois, juntinhos, no mesmo ecrã, com um bocado de sorte sem camisa e a lutarem um contra o outro. Definitivamente, vou estar na fila da estreia.


(Imagens retiradas daqui)

Dicotomias #2

Apesar de conhecer os diferentes cambiantes de cinzento que a vida lhe oferece, ela apenas consegue senti-la a preto e branco.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Saudade

"Quem dorme com canalha..."

A minha mãe, que é uma perita em sabedoria popular, conhecimento que herdou da sua mãe, usa com frequência  o famoso provérbio "Quem te avisa, teu amigo é", para alertar os incautos relativamente aos perigos da vida. E a  mim, hoje, seguindo a tradição familiar, apeteceu-me usá-lo também. Não que tu não sejas suficientemente grande para te defenderes sozinho. Não que tu acredites na minha capacidade de avaliação dos sinais e sintomas. Não que eu não saiba que os avisos valem o que valem.. Mas apesar de saber tudo isto, ainda assim apetece-me dizer-te que considero que te estás a meter num labirinto sem teres o mapa e nem sequer consegues dar conta disso, ou então, se dás, estás demasiado eufórico para perceber que te vais perder pelo caminho. E por isso peço-te. Antes de avançares, senta-te sozinho, silencia as emoções e escuta o que te diz a maturidade e a razão e por uma vez age em conformidade com elas. E se amanhã ou depois, concluirmos que eu não tenho razão nenhuma, acredita que, por uma vez na vida, ficarei feliz por me saber equivocada.

Consciente(s)

A quem possa interessar esta coisa da psicanálise, ou ande com os conceitos baralhados, recomendo os escritos do Luís Augusto que sabe sabe muito sobre o assunto e sabe expor de forma perceptível os seus conhecimentos. Volta e meia o Luís fala sobre isto cá no Porto, na Faculdade de Letras. Se tiverem oportunidade de o ouvir, não percam.

(Imagem retirada daqui)