A opinião publica decidiu que a Iniciativa Novas Oportunidades não é mais do que um mecanismo de distribuição de certificados. Essa assumpção foi feita com base no diz que disse e na opinião de alguns puristas da educação que consideram que apenas se pode aprender na escola. Com base nisto, o país decidiu que a certificação por esta via é pouco ou nada válida e que tem como função apenas aumentar as estatísticas de escolarização do país, e que as pessoas que obtêm uma certificação por esta via são desprovidas de quaisquer conhecimentos ou competências. O país decidiu, está decidido.
Mas o que o país não sabe é que a Iniciativa Novas Oportunidades não se resume ao tão criticado processo reconhecimento, validação e certificação de competências - RVCC (sobre o qual haverá em breve outro post), mas engloba uma série de respostas de educação e formação diversificadas e adaptadas a diferentes necessidades de aprendizagem. O que o país não sabe também é que a escolha, por parte dos cidadãos, da resposta formativa que mais lhes convêm é feita no âmbito de um processo de orientação profissional, no qual são analisados em conjunto com um técnico os seus interesses, as suas competências, os seus projectos, as suas limitações, entre outros, e no qual é definido o percurso a seguir para que os objectivos que o cidadão traçou sejam alcançados, minimizando-se dentro da medida do possível o esforço despendido para tal, percurso esse que é flexível e adaptado a cada realidade. O que o país não sabe ainda, é que a Iniciativa Novas Oportunidades, com todo o mediatismo que lhe foi conferido teve a importante função de pôr as pessoas a mexer; a procurar; a querer saber do que se tratava; a querer seguir o vizinho do lado que também se inscreveu; a ser capazes de dizer que querem aprender sem se sentirem ridículas, porque afinal toda a gente anda a fazer o mesmo; a perceber que aprender pode compensar, nem que seja porque se passou a saber mais coisas; a saber que há um sítio chamado Centro de Novas Oportunidades, onde há outras pessoas como eles, mas com mais "estudos", que os ajudam a crescer como seres humanos. E isto, é apenas a ponta do cobertor que muitos dos que tiveram oportunidade de estudar no devido tempo não querem destapar. E esses, os que criticam a Iniciativa, que olham com desprezo para os que a ela aderiram e através dela se certificaram, esquecem-se que, se efectivamente alguém andar a distribuir certificados, esse alguém são os técnicos que dirigem ou trabalham nos Centros de Novas Oportunidades. E esses, meus caros, andaram todos na escola até ao fim.