terça-feira, 20 de setembro de 2011
Procura-se
O que realmente a diverte é vê-los chegar, com a cabeça levantada e o peito feito, confiantes na vitória. E depois começa a entediar-se ao vê-los a acalmar, a curvar as costas ligeiramente e a enfiar a cabeça dentro dos ombros, enquanto começam a considerar que talvez o empate não seja assim tão mau. Fica aborrecida quando partem, de olhos no chão e aparentando metade do tamanho, depois de terem desistido e de lhe ter sido conferida a vitória. Suspira deprimida quando por fim fica só, porque não sabe quando lhe aparecerá um adversário à altura, um que saiba que na vida, como no poker, o que menos importa são as cartas que se tem na mão.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Vamos brincar #2
Sempre delirou com as histórias que o pai lhe contava quando era criança. Invariavelmente, a hora do conto terminava com um choro copioso, produto do trágico fim que ele imprimia às narrativas, e com o ralhete da mãe a ambos, a ela porque pedia sempre mais, a ele porque a fazia sempre chorar. Mas o que realmente a deliciava era a capacidade que ele tinha de misturar os personagens das diferentes histórias em relatos que tinham tanto de incoerente como de entusiasmante. Foi com ele que aprendeu que nem sempre as coisas são como deveriam ser, e que por vezes é melhor que assim seja. Foi com ele que desenvolveu esta sua capacidade de criar universos alternativos nos quais se refugia quando a realidade se torna insustentável. É graças a ele que hoje encarna histórias de encantar, onde convivem pinóquios e bonecas bailarinas de porcelana, que juntos, nos parcos momentos em que ganham vida, se envolvem nas mais atrevidas diabruras, pois é apenas a perspectiva de alguns momentos de recreação, o que os consegue fazer sobreviver aos longos e entediantes períodos de inacção.
domingo, 18 de setembro de 2011
Revelações #2
Esquece as jóias compradas na Cartier dos Champs Élysées, os jantares no Daniel, as escapadelas de fim-de-semana no Ritz Hotel ou os passeios de iate pelas ilhas gregas. Esquece tudo o que o dinheiro pode comprar, porque não é com isso que a vais conquistar. O que a fará tremer cada vez que se recorde de ti serão os gestos simples, espontâneos, criativos, inesperados. O que despertará as borboletas adormecidas no seu estômago será receber um sms teu a meio da noite, apenas porque não conseguiste esperar pela manhã para partilhar com ela uma passagem do livro que a insónia te levou a ler; será atender um telefonema teu onde apenas se faz ouvir a música que passa na rádio, e que é aquela que ouviram na primeira vez que se beijaram; será ser acordada de madrugada e obrigada a vestir um casaco por cima do pijama, para ser levada aquele local alto da sua cidade, onde a paisagem se estende por quilómetros, só para poderem ver juntos o sol a nascer; será ver-te parar o carro no meio da estrada e sair para te embrenhares na vegetação, para depois voltares com a sua flor preferida, porque enquanto conduzias vislumbraste aquela que foi deixada por colher; será ser arrastada até uma aldeia do interior, para te ver subir a uma figueira e descer com um cesto de figos acabados de colher, porque sabes que só esses lhe recordam os avós e só esses realmente a satisfazem; será receber pelo correio uma carta de amor, escrita no papel da mesa do restaurante onde tiveste um almoço de negócios que ansiavas por terminar, só para correres aos correios e garantires que a carta chegava no dia seguinte.
O que fará com que o seu coração bata com mais força será a descoberta de que, naquele momento exacto, o resto do teu mundo deixou de existir, pois o teu pensamento está centrado apenas na forma de a manter para sempre do teu lado.
O que fará com que o seu coração bata com mais força será a descoberta de que, naquele momento exacto, o resto do teu mundo deixou de existir, pois o teu pensamento está centrado apenas na forma de a manter para sempre do teu lado.
sábado, 17 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
E tu, tens a escola toda?
A opinião publica decidiu que a Iniciativa Novas Oportunidades não é mais do que um mecanismo de distribuição de certificados. Essa assumpção foi feita com base no diz que disse e na opinião de alguns puristas da educação que consideram que apenas se pode aprender na escola. Com base nisto, o país decidiu que a certificação por esta via é pouco ou nada válida e que tem como função apenas aumentar as estatísticas de escolarização do país, e que as pessoas que obtêm uma certificação por esta via são desprovidas de quaisquer conhecimentos ou competências. O país decidiu, está decidido.
Mas o que o país não sabe é que a Iniciativa Novas Oportunidades não se resume ao tão criticado processo reconhecimento, validação e certificação de competências - RVCC (sobre o qual haverá em breve outro post), mas engloba uma série de respostas de educação e formação diversificadas e adaptadas a diferentes necessidades de aprendizagem. O que o país não sabe também é que a escolha, por parte dos cidadãos, da resposta formativa que mais lhes convêm é feita no âmbito de um processo de orientação profissional, no qual são analisados em conjunto com um técnico os seus interesses, as suas competências, os seus projectos, as suas limitações, entre outros, e no qual é definido o percurso a seguir para que os objectivos que o cidadão traçou sejam alcançados, minimizando-se dentro da medida do possível o esforço despendido para tal, percurso esse que é flexível e adaptado a cada realidade. O que o país não sabe ainda, é que a Iniciativa Novas Oportunidades, com todo o mediatismo que lhe foi conferido teve a importante função de pôr as pessoas a mexer; a procurar; a querer saber do que se tratava; a querer seguir o vizinho do lado que também se inscreveu; a ser capazes de dizer que querem aprender sem se sentirem ridículas, porque afinal toda a gente anda a fazer o mesmo; a perceber que aprender pode compensar, nem que seja porque se passou a saber mais coisas; a saber que há um sítio chamado Centro de Novas Oportunidades, onde há outras pessoas como eles, mas com mais "estudos", que os ajudam a crescer como seres humanos. E isto, é apenas a ponta do cobertor que muitos dos que tiveram oportunidade de estudar no devido tempo não querem destapar. E esses, os que criticam a Iniciativa, que olham com desprezo para os que a ela aderiram e através dela se certificaram, esquecem-se que, se efectivamente alguém andar a distribuir certificados, esse alguém são os técnicos que dirigem ou trabalham nos Centros de Novas Oportunidades. E esses, meus caros, andaram todos na escola até ao fim.
Apetites
Porque nunca fui fã do Pedro Mexia e agora só me apetece ler-lhe os poemas de rajada.
Porque não quero morrer sem escrever uma letra para o Armando Teixeira.
Porque o Luís Varatojo sempre me encantou, mesmo quando era um Peste & Sida.
Porque a guitarra portuguesa me faz sorrir enquanto chora.
Porque me delicio com a complexidade das fusões e acredito que o abstracto tem muito mais magnetismo do que o concreto.
Porque ainda vou encontrar alguém que sinta esta música como eu.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Em definitivo, ela não quer voltar a ter dezoito anos
A idade, enquanto lhe acentuava os traços e lhe pintava os fios de cabelo de branco, refinou-lhe as qualidades e atenuou-lhe quase todos os defeitos. A bondade tornou-se mais analítica, a teimosia aos poucos tem dado lugar a uma coisa a que chamam persistência, o riso desmesurado transformou-se num sentido de humor selectivo e a intolerância tomou a forma de transigência contida. Só a impulsividade se recusa a ser debelada. E embora lhe digam que a sua mente controla ao milímetro os "pensamentos, palavras, actos e omissões", de forma a manipular a realidade que a rodeia, ela sabe que raramente a voz e os músculos lhe obedecem à razão, e que muito mais do que o bom senso, são os impulsos desgovernados o que dá rumo à sua vida.
A ver, a ver! (como dizem os espanhóis)
Ouvir, da boca criatura que vai ser uma das figuras mais importantes na educação do meu rebento nos próximos tempo, um "prontos" cria em mim um desassossego gritante.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
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