terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Memórias com açucar
No bairro da Bica há umas escadas onde o tempo já parou para que as (in)confidências fluíssem, as almas descansassem, a amizade se renovasse e a saudade escoasse pelo meio dos dedos.
No bairro da Bica há umas escadas onde o tempo parou de parar.
(esta fotografia não é minha. as botas também não. são ambas do António)
domingo, 11 de setembro de 2011
História(s) Urbana(s)
Pegou no telefone e com o dedo percorreu a lista avaliando as opções. Parou mais a menos a meio do alfabeto, onde encontrou uma garantia de sucesso com nome de antigo goleador. Carregou na tecla verde e aguardou pelo segundo toque, momento em que sabe é sempre atendida, tal é a pressa dele em falar-lhe. Convidou-o para ir ao cinema. Ele, tentando manter o orgulho de macho, disse-lhe que não sabe se poderá, que tem umas coisas mais ou menos marcadas. Ela, sabedora do seu poder sobre ele, disse-lhe desinteressadamente que não tem importância e começou a despedir-se. Ele voltou atrás e aceitou o convite. Ela despediu-se deixando no ar uma promessa dúbia. Ele desligou guardando dentro de si a esperança eterna. Ambos sabem que esta noite não será mais do que um balão de oxido nitroso partilhado, cujo efeito acabará antes do tempo. Mas ela precisa de alguém que lhe segure na mão cada vez que o galã beijar a rapariga, de alguém que a afaste do fogo de artifício que irá cruzar o seu céu tarde na noite, de alguém que lhe recorde que está a aproximar-se perigosamente do ponto de não retorno na direcção do abismo. Ela necessita de alguém que a proteja de si própria, mais do que do mundo. E ele apenas necessita dela para se sentir vivo.
sábado, 10 de setembro de 2011
Toca de enfiá-las todas no mesmo saco
"Aí vieram uns fenícios, marinheiros célebres e homens velhacos, com inumeráveis brinquedos na escura nave. Ora, no palácio do meu pai havia uma mulher fenícia, bela, alta e hábil em primorosos lavores, que os astutos fenícios seduziram. Um deles, primeiro abusou dela quando estava a lavar, junto da sua bojuda nau, fascinando-a com amorosas carícias, que é o que engana as mulheres, até as honestas."
Odisseia. Homero. pp. 267-268
Odisseia. Homero. pp. 267-268
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Vamos brincar
Ele transformou-a habilmente numa Copélia de porcelana fina com a qual desenvolve as mais criativas brincadeiras e arriscadas tropelias. Ela adora encarnar o papel de boneca e permite, de forma totalmente passiva, que ele lhe manipule os membros e a utilize para interpretar histórias de princesas e castelos. No entanto, ela é tão eficazmente hábil nas artes da caracterização e da dissimulação, que muito poucos conseguem perceber que afinal se trata de uma Swanilda disfarçada. Ele descobriu-lhe o embuste, mas actua como se não soubesse. Ela sabe que foi desmascarada, mas continua a encarnar o papel sem hesitar.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Se as outras podem...
A Maria é uma rapariga caprichosa. Qual Maria? Esta Maria claro! A Maria Fonseca, porque aqui neste blog não se fala da vida alheia. Mas pronto(s). Voltando ao que interessa. Como se dizia, a Maria é uma rapariga caprichosa. E nos dias que correm tem uma vontade. A Maria quer ir às Asturias ver o Kevin Spacey a representar o Ricardo III. Ora. Como seria de esperar, a Maria tratou de mandar alguém comprar os bilhetes, mas o imprestável a quem foi encomendado tal tarefa respondeu-lhe que os bilhetes já estão esgotados. Vai daí, a Maria resolveu fazer o que toda a blogosfera faz, pedinchar. E portanto, esta que daqui vos escreve quer saber se algum dos 3 leitores que a seguem tem bilhetes para o espectáculo e por acaso não quer assistir. Ou então, se trabalham numa daquelas entidades que são brindadas com convites para tudo e mais alguma coisa que depois distribuem pelos colaboradores, que por sua vez preferem ir ver o Barcelona e deixam os lugares livres. A Maria não quer os bilhetes à borla. Está disposta apagar o preço dos mesmos, ou até um bocadinho mais.
Haverá por aí algum anjo especializado em satisfazer desejos fúteis? (é que se houver, terá a minha eterna gratidão, ou talvez mais qualquer coisinha.)
Haverá por aí algum anjo especializado em satisfazer desejos fúteis? (é que se houver, terá a minha eterna gratidão, ou talvez mais qualquer coisinha.)
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
A música descongela os lábios para o sorriso
(esta, em especial, tocada no volume máximo, na solidão da auto-estrada)
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Amanhã é uma nova noite.
Acordei devagar, sem as pressas dos dias de trabalho, como se o meu relógio interno soubesse, ainda antes destes começarem, quais os dias em que me é permitido todo o tempo necessário para despertar. Estiquei os braços num movimento de espreguiçar e senti a tua pele contra a minha. Olhei para o teu peito e vislumbrei os movimentos leves que uma respiração tranquila imprimia ao teu diafragma. Finalmente, o cansaço tinha vencido a teimosia, a promessa fora cumprida e o teu corpo abandonado na minha cama materializava o desejo formulado. Passei a minha perna por cima das tuas, enterrei os dedos nos pêlos que te cobrem o peito e cerrei os olhos, tentando de novo passar ao estado de sono. Não me apetecia descansar. A minha vontade era apenas a de repetir o acordar nos teus braços, uma e outra vez e mais outra e ainda uma mais. Entrei de novo no estado de semiconciência que precede o sono e deixei-me arrastar até ele suavemente, como se fosse carregada por uma brisa de verão. Subitamente, um som distante, um misto de música e zumbido, voltou a despertar-me no meio de sentimentos de confusão e vazio inexplicáveis. Olhei para o lado esquerdo e vi a luz do despertador a piscar. Olhei para o lado direito e vi um espaço desocupado. A memória temporal despontou anunciando que é sexta-feira. O tempo urge. É necessário que me levante da cama e cumpra os rituais diários. Mas não sem guardar a esperança que, no final do dia, a dupla inseparável Hipnos e Morfeu enfrente mais uma luta e com o seu poder supremo volte a aniquilar o impossível.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Tragédia grega versus aventura alemã
E agora? Leio mais umas páginas da Odisseia ou vejo na televisão a série cujo anuncio reza assim "depois de 14 temporadas, ainda não descobriram que os carros não foram feitos para voar?" ?
Curto, mas nada grosso.
"tenho vindo a constatar que, apesar de tudo, há pessoas que estão melhor mal acompanhadas do que sozinhas. saber estar só é quase uma arte. saber aguardar por boas companhias, por seu turno, é uma espécie de rasgo de génio. definitivamente não é para qualquer um."
Para quê o esforço, se há quem o escreva melhor que nós. É por estas e por outras que a x se tornou uma das minhas preferidas.
Para quê o esforço, se há quem o escreva melhor que nós. É por estas e por outras que a x se tornou uma das minhas preferidas.
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