quarta-feira, 13 de julho de 2011
Constatação musical
Ao fim de milhares de audições, o Requiem de Mozart ainda é a única peça musical capaz de me arrancar umas quantas lágrimas.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Exorcismo à caixa de rascunhos #3
Passeio na praia ao final da tarde.
Frio do inverno.
Riso de uma criança.
Amor quase que com laços de sangue.
Oceano revolto.
Brilho do sol.
Navios que passam e deixam um rasto de espuma na água escura.
Gaivotas a planar vertiginosamente, com as asas esticadas.
Casacos quentes.
Voltar atrás para sossegar as lágrimas.
Café, leite e água sem gás.
Um livro.
Mais de um ano.
Aventuras e desventuras.
Desventuras.
Silêncio total.
Lugar e tempo a que nunca se pensou chegar.
Frio do inverno.
Riso de uma criança.
Amor quase que com laços de sangue.
Oceano revolto.
Brilho do sol.
Navios que passam e deixam um rasto de espuma na água escura.
Gaivotas a planar vertiginosamente, com as asas esticadas.
Casacos quentes.
Voltar atrás para sossegar as lágrimas.
Café, leite e água sem gás.
Um livro.
Mais de um ano.
Aventuras e desventuras.
Desventuras.
Silêncio total.
Lugar e tempo a que nunca se pensou chegar.
Sou eu quem tem mau feitio
Como se já não bastasse a palavra troika andar na boca de toda a gente, ainda temos que levar com a expressão "mais troikista que a troika" que a malta de esquerda teima em espalhar por aí. E a língua portuguesa que é tão rica.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Exorcismo à caixa de rascunhos #2
"Quero contar-te uma coisa. Provavelmente já percebeste isto sozinho, mas mesmo assim preciso de o dizer. Preciso que o oiças da minha boca, ou melhor, que o leias da ponta dos meus dedos. Tenho um grave problema. Não sou capaz de guardar segredos. Não estou a falar dos segredos que me confiam. Esses, guardo-os a sete chaves e recuso-me a revelá-los, mesmo até a quem me é mais íntimo. O meu ponto fraco não é os segredos dos outros. O meu calcanhar de Aquiles são os meus segredos. Não consigo mantê-los muito tempo escondidos. Tenho necessidade de os dizer. Sou demasiado transparente e não sei esconder o que me faz rir, chorar, vibrar ou sossegar. E quando me perguntam o que quer que seja, dificilmente consigo responder com algo que não seja a verdade, mesmo que a verdade seja algo que deveria ser ocultado dos ouvidos indiscretos. E sabes porquê? Simplesmente porque sei que a realidade só deixa de ser sonho quando é gritada bem alto."
(e o sonho desvanece-se quando teimamos em calar o grito na garganta)
(e o sonho desvanece-se quando teimamos em calar o grito na garganta)
domingo, 10 de julho de 2011
Exorcismo à caixa de rascunhos.
Entrou-lhe pela porta adentro acompanhado pela mãe. Era mais um, no meio de muitos outros, no meio de todos os que lhe passam pela frente dia, após dia, após dia. Pediu à mãe que aguardasse, pois tratava-se de um homem feito, um matulão, que não necessitava que falassem por ele. A ele pediu-lhe que a acompanhasse e que se sentasse. Ele timidamente seguia-a e sentou-se, acedendo ao pedido.
Começou a conversa com uma das perguntas que habitualmente os põe a falar e lhe facilitam o trabalho. Tal como os outros, ele começou a responder e o processo seguiu como sempre acontece, sem percalços ou perturbações. A dada altura ela sentiu no ar um odor que a perturbou, um odor que lhe pareceu familiar. Aos poucos, enquanto decorria a conversa, os seus olhos e ouvidos começaram a desligar-se da realidade. Centrou toda a sua experiência cinestésica no olfacto. Tudo o resto parecia ter desaparecido. Via-o à sua frente, ouvia as palavras que ele lhe dizia, mas a única informação que processava era o cheiro que ele emanava. O perfume que tão bem conhecia, que combina especiarias, lavanda e citrinos, misturado com o cheiro de quem acabou de fumar um cigarro. A custo, conseguiu reaver a conexão neuronal com os outros sentidos e recompor a compostura. Fez as perguntas essenciais e logo que lhe foi possível deu por concluída a conversa. Despediu-se dele e acompanhou-o à porta. Antes de o fazer, teve o cuidado de fechar a porta da sala onde tinham estado. Regressou, sentou-se na sua cadeira, trancou de novo a porta da sala e sozinha, inalou duas ou três golfadas de ar, fechando os olhos. Mentalmente foi transportada para um local feliz, onde ficou por breves segundo, porque as suas divagações foram interrompidas pelo toque do telefone. Era o recepcionista a anunciar a marcação seguinte e a fazer com que voltasse à realidade, impedindo-a de saborear aquele pedaço de felicidade artificial. O indivíduo seguinte entrou. No corpo e na roupa trazia o cheiro acumulado de vários dias, o odor que a faz amaldiçoar várias vezes a sua sorte, o único que naquele momento seria capaz de lhe acalmar o peito e a fazer voltar completamente à realidade.
Começou a conversa com uma das perguntas que habitualmente os põe a falar e lhe facilitam o trabalho. Tal como os outros, ele começou a responder e o processo seguiu como sempre acontece, sem percalços ou perturbações. A dada altura ela sentiu no ar um odor que a perturbou, um odor que lhe pareceu familiar. Aos poucos, enquanto decorria a conversa, os seus olhos e ouvidos começaram a desligar-se da realidade. Centrou toda a sua experiência cinestésica no olfacto. Tudo o resto parecia ter desaparecido. Via-o à sua frente, ouvia as palavras que ele lhe dizia, mas a única informação que processava era o cheiro que ele emanava. O perfume que tão bem conhecia, que combina especiarias, lavanda e citrinos, misturado com o cheiro de quem acabou de fumar um cigarro. A custo, conseguiu reaver a conexão neuronal com os outros sentidos e recompor a compostura. Fez as perguntas essenciais e logo que lhe foi possível deu por concluída a conversa. Despediu-se dele e acompanhou-o à porta. Antes de o fazer, teve o cuidado de fechar a porta da sala onde tinham estado. Regressou, sentou-se na sua cadeira, trancou de novo a porta da sala e sozinha, inalou duas ou três golfadas de ar, fechando os olhos. Mentalmente foi transportada para um local feliz, onde ficou por breves segundo, porque as suas divagações foram interrompidas pelo toque do telefone. Era o recepcionista a anunciar a marcação seguinte e a fazer com que voltasse à realidade, impedindo-a de saborear aquele pedaço de felicidade artificial. O indivíduo seguinte entrou. No corpo e na roupa trazia o cheiro acumulado de vários dias, o odor que a faz amaldiçoar várias vezes a sua sorte, o único que naquele momento seria capaz de lhe acalmar o peito e a fazer voltar completamente à realidade.
sábado, 9 de julho de 2011
O mundo do futebol nunca mais será igual
Depois do Paulinho Santos, do Paul Gascoigne e do Peter Schmeichel, este é o derradeiro desgosto. O futebol acabou de perdeu todo o interesse.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Apetites
Comprar uma motosserra; sinalizar as figuras geométricas que se instalam no cérebro humano, aquelas que rodeiam a análise dos conceitos de forma hermética fazendo-os criar bolor; fazer-lhes um pequeno corte que permita a entrada de ar puro; nos casos mais agudos, retalhá-las à moda do "Massacre no Texas".
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Desafios
Chegar a casa depois da aula de pilates. Comer no sófá na companhia do gato. Ligar o PC. Voltar ao sofá para a sobremesa. Devorar meia caixa de palitos de chocolate. Voltar ao PC e abrir o mail. Ligar a televisão. Abrir um .pdf. Receber a notícia de que se foi o primeiro. Sorrir. Ter a certeza que a vida, tal como se conhece, acabou de mudar.
Na vida real como no cinema
Elas ficaram indignadas quando lhes disse que não, que não gostava assim grande coisa, que me parecia que era muito rastilho e pouca pólvora. Eles olharam-me incrédulos quando referi que para mim teria que ser o contrário, muito pouco rastilho e muita pólvora.
É que aquilo de que eu gosto mesmo, é de ver tudo a explodir.
(E isto tudo, porque o rapaz está outra vez solteiro)
É que aquilo de que eu gosto mesmo, é de ver tudo a explodir.
(E isto tudo, porque o rapaz está outra vez solteiro)
quarta-feira, 6 de julho de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Dúvida
Cada vez que leio as notícias interrogo-me se estaremos a ser governados por imbecis, por seres cuja inteligência tão elaborada é inacessivel à minha compreensão, ou por gente meramente ingénua.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Manifesto pelo fim do assassinato da poesia
Nem todos os actores sabem dizer poesia. Por isso, antes de os deixarem vir para a televisão declamar, obriguem-nos a treinar em frente ao espelho.
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