O segredo, miúda, é bem simples. Se ele for um homem, claro, porque se for um miúdo difilcimente surtirá efeito, e não te esqueças que muitos deles mantêm-se miúdos por toda a vida. Mas como te dizia, o segredo é muito simples, só tens que te certificar de que não te falta a energia para continuares a operacionaliza-lo indefinidamente.
Então, é assim. Acorrenta-o a uma cadeira da montanha-russa e venda-lhe os olhos. Dá o sinal de partida e certifica-te que o motor nunca pára. E acima de tudo, nunca o deixes tirar a venda, pois será o inesperado o que o fará permancer.
sábado, 5 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
As estradas que se atravessam.
It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all. It all depends on who is waiting for you on the other side. - Elizabeth.
Transformações
O conquistador hábil é uma espécie de alquimista. Com paciência junta ingredientes sagrados, cozinha-os em lume brando, e vai tentando transformar, aos poucos, blocos de granito inquebrável, em torrões de areia que se desfazem ao mais leve toque. O conquistador hábil, ao contrário do alquimista, é capaz de transformar o metal mais inútil, no ouro mais puro.
terça-feira, 1 de março de 2011
Quimeras
"The moral I draw is that the writer should seek his reward in the pleasure of his work and in the release from the burden of his thoughts; and, indifferent to aught else, care nothing for praise or censure, failure or success"
W. Somerset Maughan. The Moon and Sixpence. pp. 8
W. Somerset Maughan. The Moon and Sixpence. pp. 8
A promise that I could not keep...
Faças o que fizeres, tem atenção ao que te digo. Não lhe cries expectativas, se não tiveres a certeza absoluta que possuis os meios e a coragem para as cumprir, porque, caso contrário, estás apenas a contribuir para que se acrescente mais uma camada de material inquebrável à dura casca de noz onde ela se refugia do mundo e das pessoas.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Verdades absolutas
"As lovers, the difference between men and women is that women can love all day long, but men only at times"
W. Somerset Maugham. The moon and Sixpence. pp. 152
W. Somerset Maugham. The moon and Sixpence. pp. 152
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Memórias
Estou sentada nas escadas à espera que a máquina de lavar roupa acabe o seu trabalho. Sinto uma vontade irreprimível de que a companhia de electricidade sofra um acidente temporário, e que um apagão geral me permita ver as estrelas. Recordo-me de uma noite de Tindersticks em Vilar de Mouros, com um céu sem lua, iluminado por milhares de pontos tão brilhantes que quase me ofuscam. Fico com a certeza de que, mais do que o ser que nos une, são memórias com estas que farão com que faças parte da minha vida para sempre. Fico com a certeza de que, por muito que me irrites, serás, para sempre, o amigo de quase todas as horas.
Fascínios
Acabada de chegar a casa, com o corpo cansado e uma dor de cabeça persistente, senti necessidade de vir aqui dar-te razão. Sim, estou a tratar-te por tu. À medida que o teu fim se aproxima, sinto que posso derrubar algumas barreiras e permitir-me esta familiaridade.
Tens razão. Nenhuma dessas coisas fascina uma Mulher. Faltou-te a maiúscula, mas esse é apenas um pormenor. Mas saberás tu o que nos fascina? Acredito que sim, acredito que conseguirás nomear algumas das coisas que nos deixam a rastejar. Mas não as saberás todas, por isso, desvendo-te esta, para que possas ensina-la aos teus netos.
Um telefonema que é feito exactamente às 8:59 da manha, na urgência de dizer um sim, que antes umas horas tinha sido um não. Dizerem-lhe que acordaram às 7:00, quando tinham adormecido depois das 2:00, sabendo ela que não tinham qualquer ocupação durante a manhã. Dizerem-lhe que não conseguiram dormir depois dessa hora, apesar das diversas tentativas. Esperarem pelas 8:59, para não a acordarem demasiado cedo. Perguntarem-lhe se o sim ainda iria a tempo. Explicarem-lhe que o não tinha sido obra de um cálculo matemático errado, apenas porque se esqueceram que o mês de Fevereiro tem apenas 28 dias em anos não bissextos. Esperaram com ansiedade pela resposta que ela teima em adiar. Sentirem um certo desconsolo porque a resposta dela foi pouco efusiva. Irradiarem felicidade ao ludibriar o mundo, para que a sua vontade seja satisfeita. Serem capazes de dormir ao som de um filme de animação, apenas após saberem que ela está feliz.
Tens toda a razão. Não são as encenações que nos fascinam, é a autenticidade.
Tens razão. Nenhuma dessas coisas fascina uma Mulher. Faltou-te a maiúscula, mas esse é apenas um pormenor. Mas saberás tu o que nos fascina? Acredito que sim, acredito que conseguirás nomear algumas das coisas que nos deixam a rastejar. Mas não as saberás todas, por isso, desvendo-te esta, para que possas ensina-la aos teus netos.
Um telefonema que é feito exactamente às 8:59 da manha, na urgência de dizer um sim, que antes umas horas tinha sido um não. Dizerem-lhe que acordaram às 7:00, quando tinham adormecido depois das 2:00, sabendo ela que não tinham qualquer ocupação durante a manhã. Dizerem-lhe que não conseguiram dormir depois dessa hora, apesar das diversas tentativas. Esperarem pelas 8:59, para não a acordarem demasiado cedo. Perguntarem-lhe se o sim ainda iria a tempo. Explicarem-lhe que o não tinha sido obra de um cálculo matemático errado, apenas porque se esqueceram que o mês de Fevereiro tem apenas 28 dias em anos não bissextos. Esperaram com ansiedade pela resposta que ela teima em adiar. Sentirem um certo desconsolo porque a resposta dela foi pouco efusiva. Irradiarem felicidade ao ludibriar o mundo, para que a sua vontade seja satisfeita. Serem capazes de dormir ao som de um filme de animação, apenas após saberem que ela está feliz.
Tens toda a razão. Não são as encenações que nos fascinam, é a autenticidade.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Fim de fim-de-semana
O som dos carros a percorrer a auto-estrada, entrecortado pela urgência de uma ambulância; os National, que eu não vou ver ao Coliseu porque me recuso a ficar nos piores lugares, a tocar no leitos de mp3; o frio da noite nas maçãs do rosto e nos glúteos que estão em contacto com as escadas onde me sento; um cigarro a aquecer a ponta dos dedos e os pulmões; a silhueta do gato, que perscruta a sua paisagem preferida, a cortar o horizonte; o tempo para estar sozinha comigo, as energias repostas no limiar do possivel e do desejável , uma leveza a invadir-me o coração e a dura certeza de que amanhã a vida recomeça no ponto em que foi interrompida.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Renovação
Os pensamentos disfuncionais fluíam há já algum tempo, infiltrando-se quais ervas daninhas, na linha de raciocínio. Aos poucos, foram-se-lhes juntando algumas crenças irrealistas que, delicadamente começaram a minar-lhe a razão. Bastou uma expressão infeliz, associada a uma realidade ambígua, para que se desse a catástrofe, para que o vulcão emocional entrasse em erupção.
Noutros tempos, o céu ter-se-ia enchido de faúlhas e cinzas e a lava escorreria, levando consigo tudo o que encontrasse à frente. Noutros tempos fora uma mulher radical, sem meios-termos, que sem qualquer pudor, numa atitude radical, arrastava tudo à sua frente, só para que a sua posição imperasse.
Hoje, apesar de activar a caldeira, não deixou que o vulcão expelisse mais do que uns fumos ténues, que indiciavam que a qualquer momento poderiam dar lugar quer a um mar de fogo. Calmamente, expôs as suas dúvidas, as suas questões, os seus medos e as suas necessidades. Fê-lo em voz baixa e com um discurso claro o objectivo. E nem a voz embargada pelas emoções que lhe saltavam por todos os poros da pele a desviaram do caminho que tinha traçado. Não deixou, claro está, de arriscar tudo, mas fê-lo sem sobressaltos ou imposições, deixando nas mãos do alvo, a difícil tarefa de tomar uma decisão.
Para sua surpresa, as suas palavras fizeram eco. As dúvidas foram esclarecidas, as questões obtiveram respostas, os medos foram atenuados. E as necessidades? Bem, quanto a essas, apenas conseguiu uma promessa, feita quase com a mão no coração, de que iriam tentar satisfaze-las. Gostou das palavras que ouviu, mas foi com o discurso implícito que lhe aplacaram a ansiedade.
Ela continua a ser uma mulher que vive em extremos, uma mulher de tudo ou de nada, de preto ou de branco, de dia ou de noite, mas uma mulher que hoje sabe, que os melhores resultados são obtidos com moderadas atitudes, e que as verdades mais doces se dizem sem palavras.
Noutros tempos, o céu ter-se-ia enchido de faúlhas e cinzas e a lava escorreria, levando consigo tudo o que encontrasse à frente. Noutros tempos fora uma mulher radical, sem meios-termos, que sem qualquer pudor, numa atitude radical, arrastava tudo à sua frente, só para que a sua posição imperasse.
Hoje, apesar de activar a caldeira, não deixou que o vulcão expelisse mais do que uns fumos ténues, que indiciavam que a qualquer momento poderiam dar lugar quer a um mar de fogo. Calmamente, expôs as suas dúvidas, as suas questões, os seus medos e as suas necessidades. Fê-lo em voz baixa e com um discurso claro o objectivo. E nem a voz embargada pelas emoções que lhe saltavam por todos os poros da pele a desviaram do caminho que tinha traçado. Não deixou, claro está, de arriscar tudo, mas fê-lo sem sobressaltos ou imposições, deixando nas mãos do alvo, a difícil tarefa de tomar uma decisão.
Para sua surpresa, as suas palavras fizeram eco. As dúvidas foram esclarecidas, as questões obtiveram respostas, os medos foram atenuados. E as necessidades? Bem, quanto a essas, apenas conseguiu uma promessa, feita quase com a mão no coração, de que iriam tentar satisfaze-las. Gostou das palavras que ouviu, mas foi com o discurso implícito que lhe aplacaram a ansiedade.
Ela continua a ser uma mulher que vive em extremos, uma mulher de tudo ou de nada, de preto ou de branco, de dia ou de noite, mas uma mulher que hoje sabe, que os melhores resultados são obtidos com moderadas atitudes, e que as verdades mais doces se dizem sem palavras.
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