sábado, 8 de janeiro de 2011
Incongruências e preconceitos
Se fosse mulher e tivesse morrido em casa pelas mãos do marido, era vítima de violência doméstica. Como era homossexual e morreu em Nova York pelas mãos do amigo, é um velho tarado. E no final das contas, se analisarmos bem, o erro cometido é sempre o mesmo - confiança e amor nos e pelos homens.
Visões
Vejo-te todos os dias após acordar, e continuo a ver-te pelo dia fora, e vejo-te até chegar a noite, e em certos dias vejo-te até adormecer. Tu certificas-te que estão reunidas as condições para que te veja, mas também para que saiba que estás sempre à distância do esticar de um braço mais uns centímetros. E por isso posso ver-te, vejo-te, mas por muito que me estique, nunca consigo alcançar-te.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Não acredites em tudo o que te dizem
Tu és jovem. Ainda sabes pouco sobre a vida. Aparece um sujeito mais velho que te vai dando conselhos. Tu, que percebes que ele vai tendo algum sucesso junto do sexo feminino, acreditas nas suas palavras e pões em prática os ensinamentos do mestre. E depois não compreendes porque não resultou, porque estás sozinho, debaixo da chuva da noite, a olhar o horizonte, enquanto ela se afasta com o teu guarda-chuva.
Então eu explico-te. Ele não sabe nada. Vai tendo sorte porque tem muita lábia e bom ar, e as mulheres, quando querem, (quando lhes aparece um homem apetecível à frente) caem em qualquer conversa.
Por isso te digo. Se uma mulher te pedir um abraço, não avalies isso como um triunfo. Nunca o faças. Prepara-te apenas para o pior, porque a desgraça está iminente. Quando uma mulher te pede um abraço, fica em vantagem. Não foste capaz de lho dar sem que ela o pedisse. Foi necessário que ela engolisse todo o orgulho feminino e verbalizasse que necessitava de sentir os teus braços em seu redor. E tu não sabes, mas a coisa que as mulheres mais abominam é que as façam pedir aquilo que desejam. Por isso, na primeira oportunidade vai atirar-te à cara que teve que te pedir, que tu nem sequer foste suficientemente capaz de adivinhar a sua necessidade. Vai dramatizar e organizar uma teoria maquiavélica em redor do teu acto de a abraçar a pedido. Vai contrapor todos os teus argumentos e ganhar a discussão, nem que para isso tenha que recorrer à mais baixa das armas, o choro. Tu, perante o fungar do nariz vermelho e não conseguindo conviver com as lágrimas que escorrem pelo seu rosto, vais ceder e assumir a culpa. E nesse momento acabaste de desgraçar a tua vida, pois passarás a ser o seu escravo emocional, vitima de novas cenas dramáticas que surgirão em resposta a cada contrariedade que inflijas à mulher em causa.
Por isso te digo jovem rapaz:
- Se não conseguires perceber que a mulher necessita de um abraço e ela tiver que o pedir, arranja maneira de lhe negar o amplexo e corta o mal pela raiz. Só assim conseguirás salvar a tua alma da fogueira do inferno em que ela irá transformar a tua existência.
Então eu explico-te. Ele não sabe nada. Vai tendo sorte porque tem muita lábia e bom ar, e as mulheres, quando querem, (quando lhes aparece um homem apetecível à frente) caem em qualquer conversa.
Por isso te digo. Se uma mulher te pedir um abraço, não avalies isso como um triunfo. Nunca o faças. Prepara-te apenas para o pior, porque a desgraça está iminente. Quando uma mulher te pede um abraço, fica em vantagem. Não foste capaz de lho dar sem que ela o pedisse. Foi necessário que ela engolisse todo o orgulho feminino e verbalizasse que necessitava de sentir os teus braços em seu redor. E tu não sabes, mas a coisa que as mulheres mais abominam é que as façam pedir aquilo que desejam. Por isso, na primeira oportunidade vai atirar-te à cara que teve que te pedir, que tu nem sequer foste suficientemente capaz de adivinhar a sua necessidade. Vai dramatizar e organizar uma teoria maquiavélica em redor do teu acto de a abraçar a pedido. Vai contrapor todos os teus argumentos e ganhar a discussão, nem que para isso tenha que recorrer à mais baixa das armas, o choro. Tu, perante o fungar do nariz vermelho e não conseguindo conviver com as lágrimas que escorrem pelo seu rosto, vais ceder e assumir a culpa. E nesse momento acabaste de desgraçar a tua vida, pois passarás a ser o seu escravo emocional, vitima de novas cenas dramáticas que surgirão em resposta a cada contrariedade que inflijas à mulher em causa.
Por isso te digo jovem rapaz:
- Se não conseguires perceber que a mulher necessita de um abraço e ela tiver que o pedir, arranja maneira de lhe negar o amplexo e corta o mal pela raiz. Só assim conseguirás salvar a tua alma da fogueira do inferno em que ela irá transformar a tua existência.
Ricos leitores que eu arranjei.
Então eu pespego um erro ortográfico monumental no post anterior e não há uma alma caridosa que me avise. Não fosse eu uma rapariga que gosta de olhar para o umbigo recorrentemente, e a nódoa ainda lá estava a macular a minha capacidade de juntar letras.
Gente ingrata, esta que me lê.
Gente ingrata, esta que me lê.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Mode d'emploi
Queres mesmo saber? Tens a certeza? Então eu ensino-te.
Começas por dar-lhe um pedaço de atenção. Não poderá ser em excesso, mas terá que ser em dose suficiente para que repare em ti. Depois de te certificares que foste sinalizado, começas a distribuir atenção por outras, com grande alarido, mas aleatoriamente, para que não pense que desviaste o interesse. Assim captarás a sua atenção. De seguida, e agora que ela já te viu, necessitas de tomar medidas para te distanciares, de forma a que te vislumbre como uma figura misteriosa, quase inalcançável, montada num pedestal. Por breves segundos, e em momentos escolhidos criteriosamente, podes descer à terra e tornar-te quase acessível, quase corpóreo. Nesses instantes aproxima-te dela, até que ela sinta que quase pode tocar-te, e quando estiver quase a chegar a ti, sobes de novo as escadas e voltas à tua torre. Durante estas viagens mostra-lhe que, perto ou distante, a cordialidade é o fio condutor da tua conduta e que nada te desviará dela. Durante estas viagens estuda-a ao pormenor, aprende-lhe todas as vontades e propensões e depois de a saberes de cor, num dia escolhido através de cálculos matemáticos complexos, atira-lhe com um elogio à característica que ela mais valoriza, e depois ignora os agradecimentos dela. Desaparece de novo da sua vista, para que sinta a tua falta. Deixa-a a pensar que foi esquecida. Quando ela pensar que desististe, reaparece e volta a elogia-la e mais que isso, mostra-te interessado pelas suas coisas. Mantém a tua posição de inatingível, mas através de mensagens encriptadas, mostra-lhe que é apenas para o resto do mundo, porque para ela estás à distância de um toque. Basta, para isso, que ela te queira tocar. Deixa-a aproximar-se devagarinho. Deixa-a chegar até ti. Deixa-a sentir que não vais arredar pé dali. E pronto! Ela acabou de render-se e entrega-se a ti. Agora só terás que aprender a mantê-la...
Começas por dar-lhe um pedaço de atenção. Não poderá ser em excesso, mas terá que ser em dose suficiente para que repare em ti. Depois de te certificares que foste sinalizado, começas a distribuir atenção por outras, com grande alarido, mas aleatoriamente, para que não pense que desviaste o interesse. Assim captarás a sua atenção. De seguida, e agora que ela já te viu, necessitas de tomar medidas para te distanciares, de forma a que te vislumbre como uma figura misteriosa, quase inalcançável, montada num pedestal. Por breves segundos, e em momentos escolhidos criteriosamente, podes descer à terra e tornar-te quase acessível, quase corpóreo. Nesses instantes aproxima-te dela, até que ela sinta que quase pode tocar-te, e quando estiver quase a chegar a ti, sobes de novo as escadas e voltas à tua torre. Durante estas viagens mostra-lhe que, perto ou distante, a cordialidade é o fio condutor da tua conduta e que nada te desviará dela. Durante estas viagens estuda-a ao pormenor, aprende-lhe todas as vontades e propensões e depois de a saberes de cor, num dia escolhido através de cálculos matemáticos complexos, atira-lhe com um elogio à característica que ela mais valoriza, e depois ignora os agradecimentos dela. Desaparece de novo da sua vista, para que sinta a tua falta. Deixa-a a pensar que foi esquecida. Quando ela pensar que desististe, reaparece e volta a elogia-la e mais que isso, mostra-te interessado pelas suas coisas. Mantém a tua posição de inatingível, mas através de mensagens encriptadas, mostra-lhe que é apenas para o resto do mundo, porque para ela estás à distância de um toque. Basta, para isso, que ela te queira tocar. Deixa-a aproximar-se devagarinho. Deixa-a chegar até ti. Deixa-a sentir que não vais arredar pé dali. E pronto! Ela acabou de render-se e entrega-se a ti. Agora só terás que aprender a mantê-la...
domingo, 2 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
Cada um é para o que nasce
O dia em que o Nick resolveu ir ao "Idolos" imitar o Padre Borga, mas reprovou nos testes de voz.
Belzebu
Nas conversas imaginárias que vou desenvolvendo contigo exiges-me insistentemente que reponha a verdade. Refuto os teus argumentos até ao limite, mas acabo por aceder. O inferno, fui eu quem o criou, sou eu quem o comanda. Tu és apenas o meu criado. Aquele que alimenta o fogo com o carvão, fazendo a fogueira arder em labaredas galopantes. Aquele que, com vergonha, quando o admoestam, esconde a pá atrás das costas.
2011
Chegou calmamente. Apanhou-me entre alguns dos seres que me são mais queridos. Deixou-se festejar sem alaridos ou excessos.
Depois de passada a hora H afastei-me, e do cimo da minha colina, com um cigarro entre os dedos e um copo de vinho na outra mão, contemplei as luzes das minhas cidades, das minhas 3 cidades, e formulei o desejo:
"- Que 2011 não seja pior que os 36 anos que o antecederam!"
Depois de passada a hora H afastei-me, e do cimo da minha colina, com um cigarro entre os dedos e um copo de vinho na outra mão, contemplei as luzes das minhas cidades, das minhas 3 cidades, e formulei o desejo:
"- Que 2011 não seja pior que os 36 anos que o antecederam!"
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Não sei...
...marralhar,
disputar,
marcar território.
E como sou dada à preguiça, nem sequer vou esforçar-me para aprender.
Se queres, queres, se não queres, deixas.
disputar,
marcar território.
E como sou dada à preguiça, nem sequer vou esforçar-me para aprender.
Se queres, queres, se não queres, deixas.
Cenas da vida urbana
A loiça do jantar está lavada e empilhada no escorredor. A areia do gato foi trocada. O saco de água quente está já colocado na cama. A chávena com a infusão de ervas calmantes está sobre a mesa-de-cabeceira, mesmo junto à pilha de remédios para a asma. A criança foi embalada com uma história e já dorme. A casa está em sossego absoluto.
E eis que chegas tu, com esse teu ar angelical. Sorris, dás as boas noites e qual dona de casa que se sabe traída pelo marido embora nunca o admita começas de imediato a refazer as tarefas domésticas que já estão concluídas, e soltas a língua num metralhar desenfreado de palavras ocas e ideias vazias. Precisas de ocupar as mãos e a cabeça. Só assim consegues sobreviver. Só assim consegues, com mestria, transformar o inferno ardente a que nos condenaste, numa sucessão de prados floridos aquecidos pelo sol da Primavera. Pena que, apesar do belo cenário, eu continue a sentir as labaredas que me queimam a pele e a ouvir os gritos agonizantes que me retalham os ouvidos.
E eis que chegas tu, com esse teu ar angelical. Sorris, dás as boas noites e qual dona de casa que se sabe traída pelo marido embora nunca o admita começas de imediato a refazer as tarefas domésticas que já estão concluídas, e soltas a língua num metralhar desenfreado de palavras ocas e ideias vazias. Precisas de ocupar as mãos e a cabeça. Só assim consegues sobreviver. Só assim consegues, com mestria, transformar o inferno ardente a que nos condenaste, numa sucessão de prados floridos aquecidos pelo sol da Primavera. Pena que, apesar do belo cenário, eu continue a sentir as labaredas que me queimam a pele e a ouvir os gritos agonizantes que me retalham os ouvidos.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Dos diversos fantasmas.
Depois de preparado o teatro da intervenção, deitei dois dedos de whiskey velho num copo de balão e bebi-o de um trago só, sem o saborear devidamente. A bebida cumpriu a sua função, deu-me a coragem necessária para continuar.
Limpei a superfície com álcool etílico. Com a mão firme e a precisão cirúrgica que a tarefa implicava, segurei o bisturi no ar, afundei-o até ao local escolhido e comecei a cortar. Primeiro a pele, de seguida o músculo, as veias, os tendões, tudo até chegar ao osso. Terminada a tarefa, pousei o bisturi e olhei para o tabuleiro colocado em cima da mesa. Escolhi um cutelo bem afiado, segurei-o com firmeza, levantei-o bem alto e com rapidez, sem qualquer reflexão, apliquei um golpe seco sobre o osso, golpe que separou o membro ferido do corpo que aos poucos se preparava para matar. Estava cumprida a tarefa. Tinha sido eliminado o pedaço de carne podre. O ser que o carregava poderia encher-se de novo de vida.
Com todo o rigor, cauterizei as veias, cozi a carne e apliquei-lhe os unguentos mágicos que se vendem na farmácia, para garantir que a ferida cicatrizaria devidamente.
Antes de sentir firmeza na cura, comprei uma prótese. O corpo teria que habituar-se a ela. Aos poucos fui obrigando a que a experimentasse, uns minutos, umas horas, uns dias, até que a mesma se tornou parte de si. Ao fim de alguns meses, a situação estava regularizada. O corpo tinha recuperado a saúde habitual, a prótese funcionava às mil maravilhas na substituição do membro, tudo era perfeito. Bem, tudo não. Havia ainda aquela dor intermitente que se instalara no lugar do membro cortado. Dor que quando dava acordo de si, nenhum analgésico era capaz de abrandar. Dor cujo desaparecimento não se vislumbra. Dor que a vai acompanhar até ao fim dos seus dias. Dor que a ciência apelida “do membro fantasma”.
Limpei a superfície com álcool etílico. Com a mão firme e a precisão cirúrgica que a tarefa implicava, segurei o bisturi no ar, afundei-o até ao local escolhido e comecei a cortar. Primeiro a pele, de seguida o músculo, as veias, os tendões, tudo até chegar ao osso. Terminada a tarefa, pousei o bisturi e olhei para o tabuleiro colocado em cima da mesa. Escolhi um cutelo bem afiado, segurei-o com firmeza, levantei-o bem alto e com rapidez, sem qualquer reflexão, apliquei um golpe seco sobre o osso, golpe que separou o membro ferido do corpo que aos poucos se preparava para matar. Estava cumprida a tarefa. Tinha sido eliminado o pedaço de carne podre. O ser que o carregava poderia encher-se de novo de vida.
Com todo o rigor, cauterizei as veias, cozi a carne e apliquei-lhe os unguentos mágicos que se vendem na farmácia, para garantir que a ferida cicatrizaria devidamente.
Antes de sentir firmeza na cura, comprei uma prótese. O corpo teria que habituar-se a ela. Aos poucos fui obrigando a que a experimentasse, uns minutos, umas horas, uns dias, até que a mesma se tornou parte de si. Ao fim de alguns meses, a situação estava regularizada. O corpo tinha recuperado a saúde habitual, a prótese funcionava às mil maravilhas na substituição do membro, tudo era perfeito. Bem, tudo não. Havia ainda aquela dor intermitente que se instalara no lugar do membro cortado. Dor que quando dava acordo de si, nenhum analgésico era capaz de abrandar. Dor cujo desaparecimento não se vislumbra. Dor que a vai acompanhar até ao fim dos seus dias. Dor que a ciência apelida “do membro fantasma”.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Manhã de Natal
Enquanto se reciclavam os despojos da ceia de ontem e se preparava o almoço de hoje, a banda sonora da manhã de Natal foi esta. Com o alto patrocínio do pai querido, que partilhou, com os restantes membros da família, o CD que eu, filha querida, lhe ofereci. Haveria melhor som para acompanhar o cheiro a cominhos do farrapo velho?
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