Egocentrismo - s. m. 1 tendência para referir tudo a si mesmo; 2 preocupação exclusiva consigo e com os seus próprios interesses; 3 individualismo extremo...
in Dicionário da Língua Portuguesa 2003. Porto Editora
Eu sempre soube que estavas destinado a grandes desígnios. És o designer do oitavo pecado capital.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Frustrações
Sinto necessidade de frequentar uma licenciatura em Economia, para poder ver televisão e compreender o que lá se diz.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Porquê?
Tendemos a procurar a cura através da complexidade. Procedemos a análises aturadas, efectuamos sinteses intrincadas após revisões completas da literatura. Consultamos os melhores especialistas e consumimos os remédios mais caros. E no fim, depois de esgotadas todas as forças, compreendemos que a solução está nas simplicidade, pois é ela que nos retempera as energias.
E a culpa deste engano permanente é da maldita educação judaico-cristã, que nos remete sempre para a escolha do caminho das pedras.
E a culpa deste engano permanente é da maldita educação judaico-cristã, que nos remete sempre para a escolha do caminho das pedras.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Artigos de luxo, ou "como transformar uma casa séria numa lamechice pegada".
Saltear uns camarões com azeite e alho no wok. Juntar-lhes uma mistura congeladade espinafres com queijo, da marca branca do supermercado mais famoso. Deixar derreter o queijo, até este se transformar em molho. Juntar finalmente o esparguete integral pré-cozido.
Abrir um garrafa de vinho tinto e ditribui-lo por dois copos de pé alto.
Finalmente, juntar o artigo de luxo e disfrutar.
Depois de saíres, lembrei-me que ouvíamos isto em 1993. E sorri. Porque também tu me trazes o sorriso aos lábios.
Abrir um garrafa de vinho tinto e ditribui-lo por dois copos de pé alto.
Finalmente, juntar o artigo de luxo e disfrutar.
Depois de saíres, lembrei-me que ouvíamos isto em 1993. E sorri. Porque também tu me trazes o sorriso aos lábios.
sábado, 6 de novembro de 2010
Diálogos complexos
Antes do jantar
- Eu apenas vou jantar contigo, porque estou a gostar desta amizade emergente.
- E eu apenas te convidei para jantar porque quero conhecer melhor o meu novo amigo.
- Então estamos em sintonia, no mesmo patamar?
- Sem dúvida alguma.
Após o jantar.
-Estás quase a dormir.
-Não. Engano teu. Estou bem acordada.
-Tens os olhos fechados.
-Sim. Mas não porque tenha sono.
-Então tens o quê?
-Não é o que tenho, mas sim o que me falta.
-E o que queres tu ter?
-Sabes bem o que quero. Mas também sabes que não vou pedir.
-Não precisas. Aqui está.
Na hora da partida
-Afinal os teus vaticínios e promessas sairam gorados.
-Pois sairam. E as vezes que eu prometi e ensaiei.
-É melhor que comeces a acreditar nas minhas capacidades de leitura. Poupar-te-ão a uma série de desilusões.
-Tenho que admitir que a razão está do teu lado. E sabes que mais. Isso nem sequer me aborrece.
- Eu apenas vou jantar contigo, porque estou a gostar desta amizade emergente.
- E eu apenas te convidei para jantar porque quero conhecer melhor o meu novo amigo.
- Então estamos em sintonia, no mesmo patamar?
- Sem dúvida alguma.
Após o jantar.
-Estás quase a dormir.
-Não. Engano teu. Estou bem acordada.
-Tens os olhos fechados.
-Sim. Mas não porque tenha sono.
-Então tens o quê?
-Não é o que tenho, mas sim o que me falta.
-E o que queres tu ter?
-Sabes bem o que quero. Mas também sabes que não vou pedir.
-Não precisas. Aqui está.
Na hora da partida
-Afinal os teus vaticínios e promessas sairam gorados.
-Pois sairam. E as vezes que eu prometi e ensaiei.
-É melhor que comeces a acreditar nas minhas capacidades de leitura. Poupar-te-ão a uma série de desilusões.
-Tenho que admitir que a razão está do teu lado. E sabes que mais. Isso nem sequer me aborrece.
Nota mental
Não voltar a duvidar da fiabilidade das suas interpretações.
Afinal, ela tem mesmo visão raio-X, e por isso o mundo, aos seus olhos, torna-se mesmo transparente.
Afinal, ela tem mesmo visão raio-X, e por isso o mundo, aos seus olhos, torna-se mesmo transparente.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Transparências
Esticou a mão para lhe pedir o objecto. Ele sabia qual era o propósito do seu gesto. É um gesto que repete já maquinalmente. É um gesto a que ele responde automaticamente. Desta vez, porque conversava com outra pessoa, estendeu-lhe a mão sem sequer olhar para ele. Ele, em vez de lhe estender o objecto, como era suposto, agarrou-lhe a mão e ficou a segurá-la até ela lha pedir de volta. Ela disfarçou mal a perturbação que o acto lhe infligiu. Corou, gaguejou, ficou assarapantada, disse-lhe que tinha a mãos geladas. Rapidamente recolheu o objecto que ele lhe entregou e fugiu dali. Não sem antes pensar que ele se tinha atrevido a tocar-lhe pela primeira vez. Não sem antes pensar que tudo o que ele lhe tinha dito que poderia vir a ser, já era. Não sem antes pensar que afinal, mesmo apesar de ele negar com todas as suas forças, ele está mesmo cada vez mais transparente.
sábado, 30 de outubro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Leituras arbitrárias
Os primeiros que o leram pensaram: "É comigo que ela sonha"
Os segundos cogitam: "Ela sonha com um dos primeiros"
Os terceiros dizem em voz alta: "Ela não sonha. É tudo um embuste."
O último sorri e exclama para os seus botões: "Não é comigo que ela sonha"
Nenhum deles sabe do que fala. Nenhum deles acerta no alvo.
Os segundos cogitam: "Ela sonha com um dos primeiros"
Os terceiros dizem em voz alta: "Ela não sonha. É tudo um embuste."
O último sorri e exclama para os seus botões: "Não é comigo que ela sonha"
Nenhum deles sabe do que fala. Nenhum deles acerta no alvo.
Ao telefone
Estás a 100 metros de mim. Demasiado longe. Quase inatingivel.
Pego no auscultador do telefone e marco o dígito que me dá acesso à tua atenção. Atendes. Imediatamente dizes:
"- Já tinha saudades da tua voz doce. As outras sãos sempre tão rudes."
Apenas consigo responder-te um:
"Oh!" e enquanto sinto os músculos a derreter, esqueço-me da desculpa que arranjei para te ligar.
Pego no auscultador do telefone e marco o dígito que me dá acesso à tua atenção. Atendes. Imediatamente dizes:
"- Já tinha saudades da tua voz doce. As outras sãos sempre tão rudes."
Apenas consigo responder-te um:
"Oh!" e enquanto sinto os músculos a derreter, esqueço-me da desculpa que arranjei para te ligar.
Até amanhã
Tem vontade de esperar mais um bocadinho, até que ele chegue.
Sabe que a recompensa virá em forma de sorriso aberto, daqueles que saem do interior. Sabe que o hipotálamo lhe será inundado de euforia.
Mas a pouco e pouco, começa a fechar os olhos. Sente que os ruídos-ambiente se tornam cada vez mais distantes. Tenta resistir, abrir os olhos. Não quer adormecer. Quer esperar e voltar a sentir a sua presença ali ao lado.
Fecha de novo os olhos. Curtas imagens oníricas povoam-lhe as células cerebrais. Aos poucos ele vai entrando nas imagens que o cérebro lhe transmite. Já o tem ali. Já não necessita de esperar. Deixa-se adormecer.
Sabe que a recompensa virá em forma de sorriso aberto, daqueles que saem do interior. Sabe que o hipotálamo lhe será inundado de euforia.
Mas a pouco e pouco, começa a fechar os olhos. Sente que os ruídos-ambiente se tornam cada vez mais distantes. Tenta resistir, abrir os olhos. Não quer adormecer. Quer esperar e voltar a sentir a sua presença ali ao lado.
Fecha de novo os olhos. Curtas imagens oníricas povoam-lhe as células cerebrais. Aos poucos ele vai entrando nas imagens que o cérebro lhe transmite. Já o tem ali. Já não necessita de esperar. Deixa-se adormecer.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Antecipação
Virei as folhas do poemário do Mário Cesariny, que está esquecido em cima da minha secretária, até ao dia de amanhã. Esperava, qual horóscopo uma previsão do futuro. Encontrei este desconcertante redemoinho.
"Todo o visível adere ao invisível, tudo o que pode estender-se ao que não pode estender-se, todo o sensível ao insensível. Talvez tudo o que pode pensar-se ao que não pode pensar-se."
Novalis (1772-1801), Fragmentos. (tradução de Mário Cesariny)
"Todo o visível adere ao invisível, tudo o que pode estender-se ao que não pode estender-se, todo o sensível ao insensível. Talvez tudo o que pode pensar-se ao que não pode pensar-se."
Novalis (1772-1801), Fragmentos. (tradução de Mário Cesariny)
Quem diria.
É o meu maior aliado, este Outono disfarçado de Primavera, que não permite que as nuvens se instalem e obriga o sol a aquecer-me o corpo com o seu brilho.
E tu, começas a derrubar as paredes do iglu que ergueram em meu redor, usando apenas o olhar. E começas a aquecer-me a alma gelada usando apenas o sorriso.
E tu, começas a derrubar as paredes do iglu que ergueram em meu redor, usando apenas o olhar. E começas a aquecer-me a alma gelada usando apenas o sorriso.
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