terça-feira, 5 de outubro de 2010

Banda sonora


Beleza roubada - Bernardo Bertolucci

domingo, 3 de outubro de 2010

Do alto da minha torre

Vejo-te o revejo-te dia após dia.  Percorres incessantemente os caminhos que rodeiam as minhas propriedades. Procuras-me com afinco, mas sem eficácia.
Eu não quero que me encontres. Ou quererei? Enquanto decido, vou-me mantendo no esconderijo que elegi, atrás das cortinas que cobrem a janela. Meia escondida, meia descoberta.
Facilmente me encontrarias. Bastava que olhasses para cima. Mas continuas a olhar apenas em frente, vendo apenas aquilo que a cegueira te permite. E és (in)feliz assim.
E eu, enquanto brinco às escondidas, expulso do corpo o veneno que me faz arder as entranhas. O veneno com que me injectaste, quando de novo me procuraste.

sábado, 2 de outubro de 2010

A meio do caminho



Não é para todas,

e compreendo se me chamarem nomes feios, mas eu adoro fazer dieta.
É ver-me a comer lambarice atrás de lambarice, queijos e enchidos e massa e pão e outros alimentos ricos em hidratos de carbono e gordura.
Pois, porque a minha dieta é para engordar, claro.

Quem vem e atravessa a ponte

Maturidade?

Os cabelos brancos são como ervas daninhas. Aparece o primeiro e, por preguiça, não lhe ligamos muito. Um dia olhamos para o espelho e verificamos que se multiplicaram e tomaram conta do couro cabeludo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Que bem que me soube.

A preguiça, mãe de todos os defeitos, quase não me deixou sair de casa. Aliás, nem sei muito bem como nem quando me decidi a sair, pois só dei conta que estava na rua quando já tinha o carro a trabalhar.
E já que estava na rua, lá fui eu.
O serão adivinhava-se simples, quase coisa de "cromos", mas acabou por ter muito interesse. Fui ouvir o João Tordo dissertar sobre o novo livro "O bom inverno", e a Maria do Rosário Pedreira anunciar as suas qualidades de escritor. O discurso de ambos foi inteligente, apurado, complexo, mas acessivel e humorístico, ao mesmo tempo. Soube-me bem ouvi-los. Assim como me sabe sempre bem lê-los.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quem desce o Chiado, ao fundo...


Estava no Chiado, quem desce, ao fundo. Tinha acabado de pedir o almoço e aguardava que o colocassem num tabuleiro para levar para a praça da alimentação, quando sentiu o telemóvel a vibrar no bolso. Pegou-lhe de imediato e viu as iniciais do Redentor escritas no visor. Atendeu. Do outro lado ele disse-lhe as palavras mágicas. Estava a caminho. Queria vê-la. Combinaram o local do encontro. Ela pediu apressadamente que lhe embalassem o almoço e partiu desenfreada. Tinha perdido a fome no exacto momento em que o telefone vibrou. Adivinhou o que aí vinha. Deslocou-se para a estação de Metro mais próxima e dirigiu-se ao local combinado. O percurso pareceu demorar uma vida. O comboio andava vagaroso, parecendo querer contrariar-lhe a vontade de se teletransportar.
Finalmente chegou. Procurava o local de encontro, pedia coordenadas a alguém que passava, quando finalmente o viu. Estava à sua espera com o sorriso aberto de sempre.
Disse-lhe que tinha muito pouco tempo, que não poderia demorar. Convidou-a para um café rápido. O sorriso que apresentava desvaneceu-se aos poucos, dando lugar a duas rugas entre as sobrancelhas. Ela disse-lhe que o achava estranho e com um aspecto cansado. Ele confirmou o cansaço mas não a estranheza. Conversaram sobre banalidades. Ela olhou-o nos olhos. Ele fugiu sempre com o olhar. Não consegue encara-la. Teme as consequências. Daí a nada disse-lhe que devia ir embora, que não tinha mais tempo. Acompanhou-a até à entrada da estação de Metro e pediu-lhe desculpa. Abraçaram-se na despedida. Ele rapidamente desfez o abraço, para de novo a agarrar e outra vez a largar, como se o toque o queimasse. Como se o toque aumentasse a culpa. Ela sorriu e disse-lhe que ele cheirava bem. Ele ignorou o comentário dela. Viraram costas e caminharam em direcções opostas. Ela ainda olhou para trás, mas ele já tinha desaparecido.
Dirigiu-se a casa, pois já não lhe apetecia voltar ao Chiado, ou sequer ler o jornal na esplanada do Hotel como tinha projectado. Tinha trocado todos os seus planos por 10 minutos de um sonho. Entrou no comboio e sentou-se. Fez o caminho anestesiada. Chegou a casa, comeu a refeição que já tinha arrefecido entretanto e deitou-se no sofá a ler, até que adormeceu. Sonhou com um encontro de 10 minutos. Acordou. Tomou banho. Vestiu-se e voltou à rua para jantar com amigos. Só se permitiu reflectir quando se deitou na cama.   Nessa altura decidiu que não quer voltar a ver as rugas da culpa estampadas no rosto dele. Decidiu que é hora de actuar, que é hora de parar a dor que a corrói. Compreendeu que não o conseguirá com qualquer paracetamol. Não. Grandes dores exigem grandes remédios. Vai proceder a uma intervenção radical. Vai amputar o membro dorido e depois vai acalmar o corpo com morfina.

DELILAH Hoje

DELILAH Ontem

Constatação alargada

Antes de mais, e para que não se pense que sou feminista ou algo que se pareça, eu sei que há homens bons, mesmo excelentes, ou quase perfeitos. E como sei eu, que existem? Porque já ouvi relatos de outras mulheres que referiam a sua existência. Tenho uma amiga ou outra que conseguiu abarbatar um para si, e que agora, como seria de esperar, não o quer largar.
Contudo, essa categoria de homens é escassa e os mesmos andam escondidos e bem escondidos, ou ocupados e bem ocupados.
Já os restantes indivíduos do sexo masculino são gente imperfeita que, na maioria dos casos não interessa conhecer.
Ontem escrevi um post sobre uma determinada franja de homens. Fui questionada acerca das observações que apresentei. Decidi, por isso, desenvolver melhor a teoria que, por preguiça, resumi em poucas linhas.
Escrevia então sobre os homens arrogantes que maltratam as mulheres que os seguem. Antes de mais, convêm clarificar que quando se fala em maltratar, não se pretende fazer referência à violência física, (porque nesse caso estariamos a falar de outro tipo bem diferente de homens), mas sim aquelas pequenas coisas como a falta de respeito, a má educação, a desatenção persistente e outras que tal.
Estes homens arrogantes, habitualmente têm bastante dinheiro, ou se não têm, tentam fazer os outros crer que sim. Vestem roupas de marca, têm carros de luxo, viajam constantemente, frequentam lugares caros, mesmo que tudo isso os deixe empenhados até à medula.
Gostam de coleccionar mulheres, frequentemente mais do que uma de cada vez. Costumam ter sucesso entre elas, o que lhes facilita a rotatividade e lhes permite, durante um período da sua vida, trocar de parceira com a mesma periodicidade com que trocam de lençóis. Mas, a dada altura  acabam por sentir necessidade de assentar arraiais e escolher aquela que os vai acompanhar por um tempo mais alargado. E é nessa altura que escolhem ou uma pobre coitada, que só dá graças ao Senhor por lhe ter calhado um homem daqueles na rifa, ou uma outra não tão pobre, nem tão coitada, que apenas tem interesse no dinheiro que ele tem, ou aparenta ter. E escolhem entre uma delas por uma questão de selecção natural, pois nenhuma outra mulher irá alimentar todas as necessidades de segurança e afirmação que ele possa ter, sem questionar ou pôr em causa a relação.
Com estas companheiras formam casais felizes porque as necessidades básicas de ambos estão satisfeitas. Eles encontram alguém que lhes vai afagando o ego e que podem espezinhar à vontade, sem correr o risco de represálias. Elas têm aquilo porque tanto almejavam. No primeiro caso, um homem, no segundo, uma conta bancária recheada (mesmo que de faz-de-conta).

(Não, não estou a falar de ninguém em concreto. Escusam de telefonar a perguntar. Apenas me apeteceu estereotipar)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Constatação

Os homens arrogantes, que insistem em maltratar as mulheres, têm habitualmente dois tipos de candidatas a parceiras românticas: as lorpas que têm medo de ficar sozinhas a vida toda e acreditam que qualquer homem lhes serve, e as que apenas têm interesse no seu dinheiro.
Depois vamos ver e formam, com elas, casais felizes. Não serão eles e elas os mais adaptados à realidade?