domingo, 26 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Já era tempo de teres juizo

Se calhar aquele café às 18:30, no Magestic, não foi a melhor ideia do mundo. Principalmente para quem já não bebia café há mais de dois meses. Pronto! Agora é só esperar que o sono chegue.... O que é capaz de demorar, tendo em conta que nem sequer se vislumbra um pequeno bocejo.

Não me convenço, faças tu o que fizeres.

Podemos tentar esquecer o assunto, negá-lo, evitar falar dele, mas não será por isso que deixaremos de saber que ele está lá. E acima de tudo, não será por isso que deixaremos de o sentir.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Maldade #1

Como deixar um chefe, cujas competências informáticas não são propriamente muito desenvolvidas, e que às vezes é um bocado distraído, à toa uma tarde inteira:
- esperar por um dia em que a equipa de informáticos esteja ausente;
- entrar no sistema informático que se utiliza na empresa, no computador do chefe, com a nossa conta, a pedido do mesmo, logo a seguir ao almoço;
- deixar "por esquecimento" a sessão aberta;
- passar a tarde em reunião de equipa, no qual o chefe não participa.

E depois, entrar no gabinete dele no final da tarde e vê-lo a arrancar os cabelos, porque perdeu todos os privilégios de administrador.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mais uma batalha ganha

Consegui fazer-te reagir aos estímulos. Foi uma reacção ténue, quase imperceptível, mas os meus aparelhos de medida são sensíveis às pequenas variações do teu ser e acusaram o estremecimento. A esperança regressou ao lar. E tu virás com ela, mais dia, menos dia.

Olha-me o miúdo

Ontem, no meio de uma animada discussão em que o tema era a satisfação de um pedido que recorrentemente faço, e que já justifiquei várias vezes, ele sai-se com esta:
- A senhora é muito esquisita.
Respondi prontamente que ele estava a confundir palavras. Eu até poderia ser esquisita, mas naquele contexto concreto, a palavra a usar seria outra. Ou seja, eu até sou uma pessoa esquisita, no sentido que poderei ser estranha, mas naquele caso estou apenas a ser exigente.
A discussão continuou e eu resolvi dizer-lhe que procurasse os significados no dicionário e posteriormente poderíamos então discutir.
Ele foi mesmo procurar, escreveu-os numa folha de papel que me entregou, tendo o cuidado de referir que a minha descrição estava sublinhada. Aos olhos dele eu sou:


E tudo isto porque eu peço que me acendam uma luz, sem a qual não consigo ver suficientemente bem para realizar o meu trabalho. Parece-me teremos novos desenvolvimentos. E não há-de tardar muito.

Sonhar

Hoje tentaste ensinar-me que, se empreendermos com muita força, conseguimos convencer-nos que podemos viver de  sonhos, sem nunca os concretizar. Para tal, basta que não se verbalizem, que se guardem dentro de nós, no cantinho mais íntimo do nosso ser, para que não fujam e ganhem vontade própria. O meu problema é que sou verborreica e não consigo conter dentro da caixa craniana tudo o por lá passa. Assim sendo, os meus sonhos transformam-se facilmente em "quereres". E esses são bem difíceis de domar, tal como eu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Aleatoriedades

Hoje, através de uma selecção aleatória, consegui juntar na mesma sala o seguinte conjunto de indivíduos: um taxista completamente embriagado, uma mulher com uma gravidez de risco, uma pessoa que se atrasou uma hora, uma pessoa que se adiantou 9 dias, um condenado a centenas de horas de trabalho comunitário, um homossexual, uma mulher com uma doença nas pernas, alguém que necessita de um  mês de tratamento médico, uma mulher verborreica, um rapaz de 18 anos com o 4º ano de escolaridade e uma rapariga com dificuldades cognitivas.
Poderei dizer que a minha vida é pouco animada?

Eu tanta gente



Porque não encontro melhor definição, estas também são eu.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

À procura do sorriso.



Há alguns anos, o Pedro Paixão, num laivo de grande genialidade, intitulou um dos seus livros da seguinte forma: "Viver todos os dias cansa". O livro não despertou grande entusiasmo em mim, mas o título ficou-me na cabeça até hoje.
Efectivamente, viver todos os dias é extremamente cansativo, principalmente quando a vida nos coloca um desafio atrás do outro, a ritmos alucinantes.
No meio desses desafios, confrontamo-nos por vezes com a necessidade de escolher entre o egoísmo exultante, ou o altruísmo incapacitante. E nem sempre somos capazes de fazer a escolha necessária. Até porque compreendemos que o altruísmo não aparece sem uma dose de egoísmo e vice-versa. E então não escolhemos e esperamos que a resposta nos seja dada por uma fonte externa, por um acto aleatório, ou até por um sinal de uma qualquer divindade. E quando isso não acontece, adiamos e adiamos a decisão até à inevitabilidade.
Mas há um dia em que é necessário agir. E então, enchemo-nos de toda a coragem do Mundo e lá damos o passo que era necessário. E esse passo, que muitas vezes julgávamos inofensivo, torna-se em mais um desafio para nós e para quem nos rodeia, e transforma todo o Mundo em que vivíamos. E às vezes, o desafio é demasiado grande e não conseguimos ultrapassá-lo e temos de novo que tomar decisões. E a vida continua nesta espiral, a ser vivida todos os dias e a ser muito cansativa.
Quando o cansaço dá lugar à exaustão, chega o momento de parar, mandar os desafios às urtigas e começar do início. E às vezes, para recomeçar é necessário hibernar, desfazer os nós, cortar com as cordas e começar a tricotar a nova realidade. E muitas vezes recomeçar significa desaparecer temporariamente, para que possamos voltar em todo o esplendor preparados de novo para viver.

E porque estamos a falar da nossa vida, eu e o blog estaremos hibernados, até ao dia em que o esplendor consiga voltar a entrar em nós, até ao dia em que consigamos sorrir da mesma forma.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

As coisas da vida.


Se eu fosse uma daquelas velhotas que se sentam à porta de casa a ver quem passa e a dar sermões a toda a gente, agora estaria a dizer algo do género:
-  Muita água correrá ainda debaixo da ponte e o ultimo suspiro ainda não foi dado.

Pois, mas não sou, por isso aviso-te apenas que, se pensas que é só dizer que não pode ser e fica tudo resolvido, estás enganado. Não é assim. Nunca foi assim. E certamente não será assim no futuro. E acima de tudo, eu não estou preparada para que assim seja. Portanto fica alerta, porque acabou-se-te de vez o sossego.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cinema

Entrou no cinema depois de iniciado o filme. Aos apalpões procurou a primeira cadeira livre e sentou-se. Tinha comprado o bilhete para um filme escolhido aleatoriamente e não fazia qualquer ideia do que o esperava. Fitou o ecrã, tentando habituar os olhos à escuridão da sala.
Na tela, vê-se uma mulher sentada numa cama, filmada à distância, envolta numa nuvem de fumo. Como música de fundo ouve Rachmaninoff, o Concerto para piano nº 2. Os lençóis que cobrem a cama são negros, a camisa que a mulher veste, e que é demasiado comprida e larga é negra. Apenas a sua pele é branca, ou aparenta ser, em contraste com todo o preto que a envolve. A mulher tem um aspecto franzino. Percebe-se que a camisa que enverga lhe é demasiado grande, que não lhe pertence. Terá sido deixada para trás por alguém. A mulher ter-se-á apoderado dela.
Ao lado da cama está um cinzeiro cheio de cigarros que foram acendidos, fumados pela metade e deixados a queimar até se extinguirem, dezenas de cigarros queimados. A câmara vagueia pelo quarto mostrando os pormenores que compõem a cena. Um par de sapatos de salto alto, roupa interior espalhada pelo chão, uma carteira de mulher de onde espreitam as chaves de um carro. No quarto, que poderá ser de um hotel barato, tal é a carência de mobília e conforto, não se vê mais ninguém. Aos poucos, a câmara aproxima-se do rosto da mulher. Os seus lábios mexem-se a um ritmo cadenciado. Diz algo imperceptível, de tão baixo que é o seu tom de voz. À medida que a câmara se aproxima, um som vai-se desenhando no ar e sobrepondo à música. À medida que a câmara se aproxima, a mulher vai falando cada vez mais alto, deixando perceber a mesma palavra incompreensível, repetida vezes sem conta.

- Почему, почему, почему...

Inesperadamente, o ecrã torna-se negro, aparecendo, escrita a branco, a palavra Конец. Desfiam os créditos finais. Ele abandona a sala.

Lisboa em preto e branco





Lisboa a cores







(Só porque pediste. Ou então não pediste e eu é que achei que sim.)