terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sonhar

Hoje tentaste ensinar-me que, se empreendermos com muita força, conseguimos convencer-nos que podemos viver de  sonhos, sem nunca os concretizar. Para tal, basta que não se verbalizem, que se guardem dentro de nós, no cantinho mais íntimo do nosso ser, para que não fujam e ganhem vontade própria. O meu problema é que sou verborreica e não consigo conter dentro da caixa craniana tudo o por lá passa. Assim sendo, os meus sonhos transformam-se facilmente em "quereres". E esses são bem difíceis de domar, tal como eu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Aleatoriedades

Hoje, através de uma selecção aleatória, consegui juntar na mesma sala o seguinte conjunto de indivíduos: um taxista completamente embriagado, uma mulher com uma gravidez de risco, uma pessoa que se atrasou uma hora, uma pessoa que se adiantou 9 dias, um condenado a centenas de horas de trabalho comunitário, um homossexual, uma mulher com uma doença nas pernas, alguém que necessita de um  mês de tratamento médico, uma mulher verborreica, um rapaz de 18 anos com o 4º ano de escolaridade e uma rapariga com dificuldades cognitivas.
Poderei dizer que a minha vida é pouco animada?

Eu tanta gente



Porque não encontro melhor definição, estas também são eu.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

À procura do sorriso.



Há alguns anos, o Pedro Paixão, num laivo de grande genialidade, intitulou um dos seus livros da seguinte forma: "Viver todos os dias cansa". O livro não despertou grande entusiasmo em mim, mas o título ficou-me na cabeça até hoje.
Efectivamente, viver todos os dias é extremamente cansativo, principalmente quando a vida nos coloca um desafio atrás do outro, a ritmos alucinantes.
No meio desses desafios, confrontamo-nos por vezes com a necessidade de escolher entre o egoísmo exultante, ou o altruísmo incapacitante. E nem sempre somos capazes de fazer a escolha necessária. Até porque compreendemos que o altruísmo não aparece sem uma dose de egoísmo e vice-versa. E então não escolhemos e esperamos que a resposta nos seja dada por uma fonte externa, por um acto aleatório, ou até por um sinal de uma qualquer divindade. E quando isso não acontece, adiamos e adiamos a decisão até à inevitabilidade.
Mas há um dia em que é necessário agir. E então, enchemo-nos de toda a coragem do Mundo e lá damos o passo que era necessário. E esse passo, que muitas vezes julgávamos inofensivo, torna-se em mais um desafio para nós e para quem nos rodeia, e transforma todo o Mundo em que vivíamos. E às vezes, o desafio é demasiado grande e não conseguimos ultrapassá-lo e temos de novo que tomar decisões. E a vida continua nesta espiral, a ser vivida todos os dias e a ser muito cansativa.
Quando o cansaço dá lugar à exaustão, chega o momento de parar, mandar os desafios às urtigas e começar do início. E às vezes, para recomeçar é necessário hibernar, desfazer os nós, cortar com as cordas e começar a tricotar a nova realidade. E muitas vezes recomeçar significa desaparecer temporariamente, para que possamos voltar em todo o esplendor preparados de novo para viver.

E porque estamos a falar da nossa vida, eu e o blog estaremos hibernados, até ao dia em que o esplendor consiga voltar a entrar em nós, até ao dia em que consigamos sorrir da mesma forma.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

As coisas da vida.


Se eu fosse uma daquelas velhotas que se sentam à porta de casa a ver quem passa e a dar sermões a toda a gente, agora estaria a dizer algo do género:
-  Muita água correrá ainda debaixo da ponte e o ultimo suspiro ainda não foi dado.

Pois, mas não sou, por isso aviso-te apenas que, se pensas que é só dizer que não pode ser e fica tudo resolvido, estás enganado. Não é assim. Nunca foi assim. E certamente não será assim no futuro. E acima de tudo, eu não estou preparada para que assim seja. Portanto fica alerta, porque acabou-se-te de vez o sossego.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cinema

Entrou no cinema depois de iniciado o filme. Aos apalpões procurou a primeira cadeira livre e sentou-se. Tinha comprado o bilhete para um filme escolhido aleatoriamente e não fazia qualquer ideia do que o esperava. Fitou o ecrã, tentando habituar os olhos à escuridão da sala.
Na tela, vê-se uma mulher sentada numa cama, filmada à distância, envolta numa nuvem de fumo. Como música de fundo ouve Rachmaninoff, o Concerto para piano nº 2. Os lençóis que cobrem a cama são negros, a camisa que a mulher veste, e que é demasiado comprida e larga é negra. Apenas a sua pele é branca, ou aparenta ser, em contraste com todo o preto que a envolve. A mulher tem um aspecto franzino. Percebe-se que a camisa que enverga lhe é demasiado grande, que não lhe pertence. Terá sido deixada para trás por alguém. A mulher ter-se-á apoderado dela.
Ao lado da cama está um cinzeiro cheio de cigarros que foram acendidos, fumados pela metade e deixados a queimar até se extinguirem, dezenas de cigarros queimados. A câmara vagueia pelo quarto mostrando os pormenores que compõem a cena. Um par de sapatos de salto alto, roupa interior espalhada pelo chão, uma carteira de mulher de onde espreitam as chaves de um carro. No quarto, que poderá ser de um hotel barato, tal é a carência de mobília e conforto, não se vê mais ninguém. Aos poucos, a câmara aproxima-se do rosto da mulher. Os seus lábios mexem-se a um ritmo cadenciado. Diz algo imperceptível, de tão baixo que é o seu tom de voz. À medida que a câmara se aproxima, um som vai-se desenhando no ar e sobrepondo à música. À medida que a câmara se aproxima, a mulher vai falando cada vez mais alto, deixando perceber a mesma palavra incompreensível, repetida vezes sem conta.

- Почему, почему, почему...

Inesperadamente, o ecrã torna-se negro, aparecendo, escrita a branco, a palavra Конец. Desfiam os créditos finais. Ele abandona a sala.

Lisboa em preto e branco





Lisboa a cores







(Só porque pediste. Ou então não pediste e eu é que achei que sim.)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Das dúvidas


Ainda tem dúvidas, contudo.
Não sabe se está a ser propositadamente ignorada, severamente castigada ou inocentemente negligênciada.
Porque não tem asas, e neste momento está sentada ao pé da gaivota, pede esclarecimentos, para poder voltar a poisar os pés em solo firme.

Das verdades


Acabou de receber provas irrefutáveis de duas verdades:
- a bola de cristal funciona na perfeição;
- a ignorância, na maioria dos casos, é uma benção.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Apeteceu-me mudar a cara disto (outra vez)

E mostrar a urbanidade da minha cidade, o Porto.

(para que não restem dúvidas, cavalheiro)

Das promessas.


Há promessas que se fazem e que nunca serão cumpridas. Podemos até fingir que sim, mas no nosso espaço mais íntimo estamos constantemente a quebrá-las.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Welcome to the jungle

Gosto, gosto mesmo...

Era de dar um Nobel a um gajo que inventou um tipo de exercício físico que implica passar a maior parte do tempo deitado no chão. O Joseph Pilates já ganhou o meu respeito.