sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Desculpa-me, ou então não.
A princípio, enquanto se afastava e começava a ponderar no sucedido, ela sentiu que lhe deveria pedir desculpa. Estava mesmo pronta para o fazer. Afinal, o seu pedido tinha sido irreflectido, e o acto poderia vir a ter consequências catastróficas. Mas depois, quando conseguiu analisar todo o cenário, concluiu que o culpado era ele. Sim. Sem qualquer sombra de dúvida. Fora ele quem a tornara de novo menina, fora ele quem se mostrara irresistível aos seus olhos, fora ele quem, sem se dar conta, e apenas porque é honesto, lhe fizera a mais bela declaração de amor que ela já ouvira. O papel dela, neste conto de fadas, foi apenas o de donzela frágil. Daquelas que exibem uma armadura que aparenta ser de metal, mas que quando se vê ao perto, não passa de manteiga disfarçada.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Soul mates
Há pessoas, poucas, que parece que nos conhecem como a palma da sua mão. Hoje recebi isto por e-mail de uma dessas pessoas.
É a primeira vez que publico uma imagem que não seja minha. Fiz uma pesquisa, e vi-a disseminada
por uma série de sites, contudo, se considerarem que estou a violar algum direito de autor, avisem por favor e eu apago o post.
Explicações
Ontem, sem ter percebido, ele abriu uma fresta da Caixa de Pandora. E ela, mulher expedita, claro que aproveitou para espreitar lá para dentro. E o vislumbre do seu conteúdo abriu-lhe novos horizontes.
(Não tentes compreender, porque vais interpretar tudo mal. Fica quietinho e não canses os neurónios. Eu explico-te, um dia explico-te.)
(Não tentes compreender, porque vais interpretar tudo mal. Fica quietinho e não canses os neurónios. Eu explico-te, um dia explico-te.)
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Porque há gente que anda a pedi-las.
Querias, não querias? Então toma lá. Esta é para ti. É bom que a oiças até ao fim.
Uma outra Maria
A Maria tem um sonho. A Maria pôs-se a mexer para realizar o seu sonho. A Maria arranjou uma data de amigos que ajudam nesta tarefa árdua. A Maria faz leilões. A Maria cumpre com as suas obrigações. A Maria é uma pessoa genuína e honesta. Este é o e-mail que lhe vou enviar de seguida.
Querida Maria,
Acabei de receber em casa dos meus pais o meu Mar Morto. Má ideia ter-te dado o endereço deles, porque apesar de ter sido mais fácil, uma vez que eles puderam de imediato assinar o registo, o meu pai já o mitrou e só o devolve quando acabar de ler. Já nem na família se pode confiar. Entretanto, vou estando atenta aos leilões e vou, sem dúvida, fazer uma limpeza à minha bilbioteca.
Beijinhos e desejos de muito sucesso
Maria Fonseca
Querida Maria,
Acabei de receber em casa dos meus pais o meu Mar Morto. Má ideia ter-te dado o endereço deles, porque apesar de ter sido mais fácil, uma vez que eles puderam de imediato assinar o registo, o meu pai já o mitrou e só o devolve quando acabar de ler. Já nem na família se pode confiar. Entretanto, vou estando atenta aos leilões e vou, sem dúvida, fazer uma limpeza à minha bilbioteca.
Beijinhos e desejos de muito sucesso
Maria Fonseca
terça-feira, 31 de agosto de 2010
É verão e chove a potes.
Depois de duas horas a pregar a um grupo de vinte jovens adultos, cujo único projecto na vida é "nenhum projecto", e que ouvem as minhas palavras com o enfado de quem sabe tudo, saí para o jardim que rodeia o meu local de trabalho, e senti o cheiro deixado pela chuva quase tropical que acabara de cair. O ar era irrespirável, tal era a humidade. Mas aquele cheiro acre, a terra acabada de molhar pela água da chuva, encheu-me de vivacidade e recarregou-me toda a energia que tinha acabado de desperdiçar em vão. E preparou-me para enfrentar os que vêm amanhã.
Eu tou, tu tás, ele tá, nós...
Tenho uma dúvida existencial, que não consigo de forma alguma esclarecer sozinha. Por isso peço-lhes encarecidamente que me ajudem a compreender. Alguém me explica porque é que uma grande empresa, com suposta responsabilidade social, decidiu lançar uma campanha que tem como objectivo introduzir no dicionário uma palavra que não significa absolutamente nada. E porque é que a mesma empresa, em paralelo, lança uma discussão acerca de outras palavras que fazem parte da língua portuguesa, e que supostamente poderiam ser dispensáveis.
E já agora, tenho uma sugestão para outra campanha. Eis o slogan:
"Elimina a conjugação do verbo "tar" da tua linguagem escrita e torna-te uma pessoa menos bronca." Será que também cola? Pelo menos, no meio disto tudo, tenho uma certeza absoluta. Nunca mais me apanharão a beber daquela coisa que eles vendem.
E já agora, tenho uma sugestão para outra campanha. Eis o slogan:
"Elimina a conjugação do verbo "tar" da tua linguagem escrita e torna-te uma pessoa menos bronca." Será que também cola? Pelo menos, no meio disto tudo, tenho uma certeza absoluta. Nunca mais me apanharão a beber daquela coisa que eles vendem.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Hoje tenho dois desejos...
(passear pela Ilha do Ermal e
jantar no Victor, num sábado à noite)
...e nenhum dos dois se vai concretizar.
jantar no Victor, num sábado à noite)
...e nenhum dos dois se vai concretizar.
Este post tem linguagem menos própria...
...e portanto, as pessoas que não gostam de palavrões, deverão abster-se de o ler.
Eu nunca mais volto ao cinema. Juro que não volto. Ou então, se alguma alma me quiser arrastar até a uma dessas salas do demo, terá que me garantir por escrito que o filme tem apenas cenas de pancadaria, explosões a cada 30 segundos e sangue com fartura. Caso contrário, ninguém me apanha lá dentro.
É que, por vezes, o coração parte-se-nos aos bocadinhos. Nós temos um trabalhão a encaixar os pedaços no sítio e a colar tudo direitinho. Entretanto, a cola que usamos, que era a que tínhamos à mão, era daquela rasca, comprada na loja do oriental, que à mínima humidade, lá se vai. Mas nós achamos que não, que aquilo aguenta uma vida.
Então, um belo dia saímos de casa e vamos todos contentes ver um filme. Estamos até divertidos, porque era uma história para fazer rir, quando nos deparamos com o facto de a puta da ficção estar a imitar a nossa realidade. Não conseguimos manter a compostura e inundamos a sala com lágrimas. Ora, o cabrão do coração que estava colado com a cola merdosa, graças aos rios de água que correm, escaqueira-se todo de novo. E pronto. Voltamos ao início.
E eu juro. Eu nunca mais vou ao cinema. É que não vou mesmo. Não estou para esta merda.
Eu nunca mais volto ao cinema. Juro que não volto. Ou então, se alguma alma me quiser arrastar até a uma dessas salas do demo, terá que me garantir por escrito que o filme tem apenas cenas de pancadaria, explosões a cada 30 segundos e sangue com fartura. Caso contrário, ninguém me apanha lá dentro.
É que, por vezes, o coração parte-se-nos aos bocadinhos. Nós temos um trabalhão a encaixar os pedaços no sítio e a colar tudo direitinho. Entretanto, a cola que usamos, que era a que tínhamos à mão, era daquela rasca, comprada na loja do oriental, que à mínima humidade, lá se vai. Mas nós achamos que não, que aquilo aguenta uma vida.
Então, um belo dia saímos de casa e vamos todos contentes ver um filme. Estamos até divertidos, porque era uma história para fazer rir, quando nos deparamos com o facto de a puta da ficção estar a imitar a nossa realidade. Não conseguimos manter a compostura e inundamos a sala com lágrimas. Ora, o cabrão do coração que estava colado com a cola merdosa, graças aos rios de água que correm, escaqueira-se todo de novo. E pronto. Voltamos ao início.
E eu juro. Eu nunca mais vou ao cinema. É que não vou mesmo. Não estou para esta merda.
Cooperação? Competição? Ou apenas gente mesquinha?
Há pouco, num momento de insanidade temporária, resolvi assistir ao famoso programa Projecto Moda. Já tinha visto o primeiro episódio e considerado que não valeria a pena voltar a ver qualquer outro. Mas hoje, a curiosidade venceu e lá estive eu coladinha à televisão, enquanto passava alguma roupa a ferro.
Não vou falar da prestação da Nayma como apresentadora, porque sobre isso já muitos dissertaram, nem sequer das criações apresentadas, cuja caracterização implicaria um elevado gasto de vocabulário menos próprio.
O que me leva a escrever sobre este assunto, foi uma pequena conversa entre duas das participantes que ocorreu mesmo no final e que me catapultou para os meus anos de Faculdade.
Dizia uma das senhoras, que um dos rapazes apenas tinha conseguido qualificar-se graças à ajuda que a mesma lhe tinha dado. E continuava dizendo que se soubesse não o teria ajudado, porque ela mesma tinha corrido riscos de ser eliminada. Ao que parece, o trapinho do rapaz tinha obtido uma melhor classificação do que o da senhora que o ajudou a costurar, o que deixou a senhora em causa, bastante descontente e chorosa.
E esta conversa fez-me voltar aos meus 18 anos, altura em que frequentava a Faculdade. Eu era uma aluna excelente na Estatística, na Genética e nas Biologias. Mas quando se tratava de disciplinas de paleio, não tinha grande paciência, e sempre que podia baldava-me ou desviava a atenção nas aulas para outras coisas, e por isso não tirava grandes apontamentos. Ora, um belo dia, quando pedia a uma colega de curso que me emprestasse o caderno para fotocopiar e estudar para o exame, ela respondeu-me aos gritos e com as lágrimas nos olhos:
- Nem penses. Se eu te emprestar o caderno, tu ainda tiras outra vez melhor nota que eu.
Eu agradeci e assegurei-lhe que não voltaria a pedir.
Continuei, tal como até aí, a ajudar os colegas nas disciplinas que para mim eram mais fáceis, e encontrei forma de ter apontamentos das disciplinas menos agradáveis. Continuei a tirar melhores notas que a colega que me recusou os cadernos. Mas penso, que ainda hoje ela não compreendeu que as minhas notas se deviam ao facto de as possuir competências cognitivas superiores às suas. E quanto a isso, ela nada poderia ou pode fazer.
Moral da história: Passar roupa a ferro ininterruptamente faz mal ao cérebro e conduz a comportamentos desadequados. A melhor terapia é ver de seguida vários episódios da série Lie to me. Ainda por cima, se começarem com banda sonora do Leonard Cohen.
Não vou falar da prestação da Nayma como apresentadora, porque sobre isso já muitos dissertaram, nem sequer das criações apresentadas, cuja caracterização implicaria um elevado gasto de vocabulário menos próprio.
O que me leva a escrever sobre este assunto, foi uma pequena conversa entre duas das participantes que ocorreu mesmo no final e que me catapultou para os meus anos de Faculdade.
Dizia uma das senhoras, que um dos rapazes apenas tinha conseguido qualificar-se graças à ajuda que a mesma lhe tinha dado. E continuava dizendo que se soubesse não o teria ajudado, porque ela mesma tinha corrido riscos de ser eliminada. Ao que parece, o trapinho do rapaz tinha obtido uma melhor classificação do que o da senhora que o ajudou a costurar, o que deixou a senhora em causa, bastante descontente e chorosa.
E esta conversa fez-me voltar aos meus 18 anos, altura em que frequentava a Faculdade. Eu era uma aluna excelente na Estatística, na Genética e nas Biologias. Mas quando se tratava de disciplinas de paleio, não tinha grande paciência, e sempre que podia baldava-me ou desviava a atenção nas aulas para outras coisas, e por isso não tirava grandes apontamentos. Ora, um belo dia, quando pedia a uma colega de curso que me emprestasse o caderno para fotocopiar e estudar para o exame, ela respondeu-me aos gritos e com as lágrimas nos olhos:
- Nem penses. Se eu te emprestar o caderno, tu ainda tiras outra vez melhor nota que eu.
Eu agradeci e assegurei-lhe que não voltaria a pedir.
Continuei, tal como até aí, a ajudar os colegas nas disciplinas que para mim eram mais fáceis, e encontrei forma de ter apontamentos das disciplinas menos agradáveis. Continuei a tirar melhores notas que a colega que me recusou os cadernos. Mas penso, que ainda hoje ela não compreendeu que as minhas notas se deviam ao facto de as possuir competências cognitivas superiores às suas. E quanto a isso, ela nada poderia ou pode fazer.
Moral da história: Passar roupa a ferro ininterruptamente faz mal ao cérebro e conduz a comportamentos desadequados. A melhor terapia é ver de seguida vários episódios da série Lie to me. Ainda por cima, se começarem com banda sonora do Leonard Cohen.
domingo, 29 de agosto de 2010
Dans le désert...
...de mon coeur.
(Nos útimos dias tenho sentido um inusitado interesse pela música francesa. Os anglo-americanos que se cuidem.)
sábado, 28 de agosto de 2010
Apenas.
Ele parte sempre no início da madrugada. Ela, invariavelmente, fica mais um bocadinho a saborear. E dentro do seu corpo ainda estremecido, ela sente-se uma gaivota; solitária, livre, mas marcada para toda a vida.
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